Ginecologia e Obstetrícia

Pele no inverno: banhos quentes e falta de protetor aceleram ressecamento e rugas

Frio, vento e ar mais seco podem fragilizar a barreira da pele; dermatologista explica por que a radiação UVA continua exigindo filtro solar mesmo em dias nublados.

Por Redação Brazil Health , 16/07/2026

4 min de leitura

Pele no inverno: banhos quentes e falta de protetor aceleram ressecamento e rugas

Com a queda das temperaturas, é comum muita gente reduzir os cuidados com a pele. O resultado pode aparecer em poucas semanas, com ressecamento, descamação, coceira, irritação e até quadros de dermatite, especialmente quando a rotina inclui banhos muito quentes e longos, pouca hidratação e abandono do protetor solar.

Segundo a dermatologista Marcela Cestari, do Hospital Sírio-Libanês, o inverno impõe um tipo diferente de agressão. “A pele não descansa no inverno, apenas enfrenta desafios diferentes. No verão, o principal agressor costuma ser a exposição solar. Já no inverno, o ressecamento ganha protagonismo por causa do ar mais seco, do vento frio e dos banhos quentes, que favorecem a perda de água e enfraquecem a barreira cutânea”, afirma.

Quando essa barreira de proteção é comprometida, a pele tende a ficar mais sensível. Sinais como sensação de repuxamento após o banho, aspereza, vermelhidão, ardor ao aplicar produtos e descamação podem indicar que ela está perdendo água e tolerando menos agressões do dia a dia. Em casos mais avançados, surgem fissuras, principalmente em lábios, mãos, pés e calcanhares.

Protetor solar também no frio

A menor sensação de calor leva muitas pessoas a dispensarem o filtro solar, mas a orientação de dermatologistas é manter o uso diário. “A radiação UVB, responsável pelas queimaduras solares, realmente diminui no inverno. Mas os raios UVA permanecem praticamente constantes ao longo do ano, atravessam nuvens, vidros e continuam causando danos à pele”, diz Cestari.

Os raios UVA penetram mais profundamente e estão associados ao fotoenvelhecimento, contribuindo para rugas, flacidez, manchas e alterações na textura. Como o efeito é cumulativo e não costuma causar sinais imediatos, o dano pode passar despercebido por anos.

Banho muito quente piora o ressecamento

Outro erro frequente é aumentar demais a temperatura da água. Apesar do conforto, a água quente remove parte da camada de gordura que ajuda a proteger a pele. “A barreira cutânea funciona como uma espécie de escudo que retém água e impede a entrada de agentes irritantes. Quando a água está muito quente, essa proteção é removida, favorecendo o ressecamento, a coceira e, em alguns casos, o desenvolvimento de dermatites”, explica a dermatologista.

Hidratação: menos etapas, mais consistência

Para adaptar a rotina ao inverno, a médica recomenda hidratar a pele todos os dias, de preferência logo após o banho, e escolher fórmulas mais encorpadas, com ingredientes que ajudam a restaurar a barreira cutânea, como ceramidas, ácido hialurônico, glicerina, pantenol e niacinamida.

Ela também chama atenção para tendências de redes sociais que defendem várias camadas de produtos para “hidratação intensa”. “O que realmente faz diferença é aplicar um bom hidratante enquanto a pele ainda está úmida. Um produto bem formulado já reúne ingredientes capazes de atrair água, suavizar a pele e reduzir sua perda. Muitas vezes, o excesso de etapas agrega mais marketing do que benefício real”, afirma.

Outro ponto é que pele oleosa também pode precisar de hidratante. “Uma pele pode apresentar excesso de oleosidade e, ao mesmo tempo, estar desidratada. Quando a hidratação é negligenciada, a barreira cutânea se fragiliza e a produção de sebo pode até aumentar como mecanismo de compensação, gerando o chamado efeito rebote”, diz Cestari.

Além do rosto, áreas como mãos, lábios, pernas, cotovelos, joelhos, pés e calcanhares tendem a sofrer mais no inverno. Para a especialista, três ajustes simples ajudam a atravessar a estação com menos incômodo: hidratar diariamente após o banho, manter o protetor solar mesmo em dias nublados e preferir banhos mornos e mais curtos. “Regularidade é mais importante do que uma rotina complexa”, conclui.