Ginecologia e Obstetrícia

Junho Preto alerta para melanoma: veja sinais nas pintas e quando buscar o médico

Campanha chama atenção para o câncer de pele mais agressivo, que pode se espalhar para outros órgãos. Especialistas explicam fatores de risco, como se examinar e quais mudanças na pele exigem avaliação.

Por Redação Brazil Health , 08/06/2026

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Junho Preto alerta para melanoma: veja sinais nas pintas e quando buscar o médico

Junho Preto, mês de conscientização sobre o melanoma, reforça a importância de observar pintas e manchas no corpo e procurar avaliação médica diante de alterações. Embora represente uma parcela menor dos cânceres de pele, o melanoma é considerado o tipo de pior prognóstico por poder se disseminar para outros órgãos quando não é identificado no início.

“Apesar de ser o tipo de câncer de pele menos frequente, correspondendo a 3% dos diagnósticos, o melanoma é o tipo mais perigoso porque é o único que pode causar metástase à distância”, afirma a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

O oncologista Ramon Andrade de Mello, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, lembra que a doença pode evoluir de forma agressiva quando avança. “O melanoma maligno avançado é uma doença muito agressiva, historicamente com prognóstico ruim”, diz.

Exposição ao sol segue como principal fator de risco

Entre os fatores associados ao câncer de pele estão histórico familiar, predisposição genética e características da pele. Mas a exposição solar intensa sem proteção é apontada como o principal risco. “A exposição solar desprotegida é realmente preponderante para o desenvolvimento do câncer de pele. Isso é especialmente preocupante no Brasil, onde a incidência de radiação solar é muito elevada”, afirma Ramon.

Para a dermatologista Glauce Eiko, da SBD – Regional São Paulo (SBD-RESP), a prevenção depende de hábitos consistentes e de acesso a acompanhamento especializado. “O câncer de pele é altamente prevenível e tem altas taxas de cura quando diagnosticado precocemente, mas isso depende diretamente de informação, fotoproteção adequada e acesso ao dermatologista”, diz.

Ela também alerta que o risco não se limita ao verão. “A radiação ultravioleta tem efeito cumulativo. Mesmo em dias nublados ou fora do verão, ela continua atingindo a pele e provocando danos que se acumulam ao longo dos anos”, afirma.

Autoexame e regra ABCDE ajudam a identificar mudanças

Como muitos tumores, o câncer de pele pode não causar sintomas no início, o que torna a observação da pele uma aliada para detectar sinais precoces. “Pode se manifestar através do desenvolvimento de alterações da pele, como sinais e pintas desproporcionais”, diz Ramon.

A recomendação é examinar todo o corpo, incluindo áreas pouco lembradas, como couro cabeludo, unhas, palmas das mãos e solas dos pés. “É necessário examinar todos os lugares do nosso corpo: palmas das mãos, sola dos pés, dorso, couro cabeludo, unhas, tudo! Se precisar, peça ajuda para alguém olhar as suas costas. Caso não tenha a quem pedir, use o espelho”, orienta Paola.

A presidente da SBD-RESP, Jade Cury, sugere usar a regra ABCDE para avaliar pintas: “A de assimetria; B de bordas irregulares; C de coloração com múltiplos tons; D de diâmetro maior do que 6 milímetros; e E de evolução, uma pinta que muda”.

O dermatologista Daniel Cassiano, diretor da SBD-RESP, destaca que também merecem atenção lesões que provoquem sintomas. “Qualquer pinta ou lesão na pele que coce, doa ou sangre; que aumente de tamanho com rapidez; ou ainda que apresente sensibilidade pode ser sinal de um câncer de pele”, afirma.

Quando procurar atendimento e como é feito o diagnóstico

Ao perceber mudanças em pintas ou manchas, a orientação é buscar avaliação com dermatologista. Segundo Ramon, a dermatoscopia é um exame usado para analisar lesões suspeitas, mas a confirmação depende de um procedimento específico. “Somente a biópsia dessa lesão é que vai definir o diagnóstico”, diz.

Confirmado o câncer, o tratamento varia conforme o estágio e características do caso. Ramon afirma que a cirurgia costuma ser a principal abordagem, com possibilidade de outras terapias quando indicadas. “Via de regra, o tratamento padrão para o câncer de pele é a cirurgia, mas a quimio e a imunoterapia também podem ser indicadas, além das terapias-alvo”, afirma.