Ginecologia e Obstetrícia

INCA estima 263 mil novos casos de câncer de pele ao ano

Por Redação Brazil Health , 06/03/2026

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INCA estima 263 mil novos casos de câncer de pele ao ano

Projeção nacional reforça que alterações na pele, como feridas que não cicatrizam e pintas que mudam de tamanho ou cor, devem ser avaliadas para aumentar as chances de tratamento eficaz

O câncer de pele é o tumor mais frequente no Brasil e segue cercado de mitos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o país deve registrar cerca de 263 mil novos casos por ano de câncer de pele não melanoma, o que corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos. No total, a projeção é de 781 mil novos diagnósticos anuais entre 2026 e 2028.

Para o dermatologista Matheus Rocha, a percepção de que a doença é sempre evidente ou simples de tratar ainda atrasa o diagnóstico. “É um câncer muito comum, mas nem sempre dói, nem sempre começa como uma pinta escura e não atinge apenas quem vai à praia com frequência”, afirma.

Há dois grandes grupos: o câncer de pele não melanoma, que inclui o carcinoma basocelular – geralmente de crescimento mais lento – e o carcinoma epidermóide, com maior potencial de invasão; e o melanoma, que representa cerca de 4% dos casos, porém é o mais grave pela capacidade de se espalhar. “O melanoma pode evoluir rapidamente se não for identificado no início”, diz Rocha.

O que observar na pele

O câncer de pele pode não causar dor, coceira ou incômodo no começo. Feridas que não cicatrizam, manchas avermelhadas que descamam ou sangram e lesões persistentes merecem avaliação. Nem todo melanoma é uma pinta preta, e alterações discretas podem passar despercebidas.

Para ajudar no reconhecimento precoce do melanoma, especialistas recomendam a regra do ABCDE:

  • Assimetria
  • Bordas irregulares
  • Cores variadas
  • Diâmetro acima de 5 mm
  • Evolução da lesão – como mudança de tamanho, cor ou formato

“Mudança é o principal sinal de alerta. Se uma pinta cresce, muda de cor ou formato, é hora de procurar avaliação”, orienta o dermatologista.

Fatores de risco e prevenção

A exposição aos raios ultravioleta é o principal fator de risco, sobretudo entre 10h e 16h. Queimaduras solares na infância aumentam a probabilidade de câncer de pele na vida adulta, pois os danos se acumulam ao longo do tempo. Pessoas de pele clara têm risco maior, mas a doença pode atingir qualquer tom de pele.

Histórico familiar e predisposição genética também contam. “Pacientes com familiares de primeiro grau diagnosticados devem manter acompanhamento regular”, recomenda Rocha.

O uso diário de protetor solar ajuda a reduzir danos da radiação. Filtros com FPS 50 ou superior e reaplicação a cada duas horas em exposição contínua são indicados, sem substituir medidas de barreira como chapéu, óculos escuros e sombra.

Diagnóstico e acompanhamento

A suspeita pode surgir no exame clínico e na dermatoscopia; a biópsia confirma o diagnóstico. Quando detectado cedo, o tratamento geralmente envolve a remoção da lesão e tem altas taxas de cura. Em casos avançados, especialmente no melanoma, podem ser necessários tratamentos complementares.

Após a retirada do tumor, o seguimento é essencial para identificar novas lesões ou recidivas. “Quem já teve câncer de pele precisa manter vigilância contínua. O histórico aumenta o risco de novas lesões”, reforça Rocha.

O recado final do especialista é direto: mudanças na pele – por menores que pareçam – devem ser investigadas. “No câncer de pele, o tempo é um fator decisivo.”