Ginecologia e Obstetrícia

Frio e ar seco podem piorar dermatite atópica e prurigo nodular no inverno

Dermatite atópica e prurigo nodular tendem a ter mais crises no inverno, quando a pele perde mais água e fica mais vulnerável. Dermatologista orienta cuidados simples para reduzir o desconforto e evitar agravamentos.

Por Redação Brazil Health , 15/07/2026

4 min de leitura

Frio e ar seco podem piorar dermatite atópica e prurigo nodular no inverno

Com a chegada do inverno, pessoas com doenças crônicas de pele, como dermatite atópica e prurigo nodular, podem notar piora dos sintomas. A combinação de temperaturas baixas e ar mais seco favorece o ressecamento e pode intensificar a coceira, aumentando o risco de lesões e inflamação.

Segundo a dermatologista Analia Viana, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, as duas condições têm um ponto em comum que ajuda a explicar as crises no frio. “Tanto a dermatite atópica, quanto o prurigo nodular são condições inflamatórias que apresentam uma barreira cutânea alterada. Isso as torna particularmente sensíveis às agressões externas, como as variações climáticas”, afirma.

A dermatite atópica é uma inflamação da pele marcada por coceira persistente e lesões avermelhadas que podem reaparecer ao longo do tempo. Já o prurigo nodular é caracterizado por coceira intensa que leva ao surgimento de lesões mais espessas, muitas vezes espalhadas por áreas maiores do corpo, e é mais frequente entre 50 e 69 anos.

De acordo com a especialista, no inverno a queda da umidade do ar acelera a perda de água pela pele, o que agrava um problema já existente em quem tem a barreira cutânea comprometida. “No inverno, a umidade do ar diminui, o que acelera a perda de água transepidérmica. Para um paciente cuja barreira cutânea já é comprometida, isso resulta em um ressecamento grave que alimenta o ciclo vicioso de coceira e inflamação”, explica.

Banho e limpeza: menos agressão à pele

Um dos primeiros cuidados envolve o banho. A orientação é reduzir o tempo e evitar água quente, que tende a retirar a proteção natural da pele e aumentar o ressecamento. Também pode ser importante trocar sabonetes comuns por produtos de limpeza mais suaves, com pH neutro e sem fragrâncias.

“Muitos pacientes não se dão conta de que o sabonete comum pode ser um dos maiores problemas no inverno. Ele age removendo a camada lipídica que protege a pele e deixando-a vulnerável”, diz Analia.

Hidratação: passo-chave para atravessar o inverno

A hidratação diária é uma das medidas centrais para reduzir crises e desconforto. A recomendação é aplicar o hidratante logo após o banho, com a pele ainda levemente úmida, priorizando cremes emolientes e hipoalergênicos, sem perfume, álcool ou corantes.

“Uma recomendação que costumo dar aos meus pacientes é aplicar o creme na pele ainda úmida. Isso porque a umidade na superfície da pele otimiza a absorção dos componentes do creme, potencializando sua ação”, afirma a médica.

Hábitos do dia a dia também influenciam

Além do banho e do hidratante, ajustes na rotina podem ajudar a diminuir gatilhos comuns no frio, como atrito e ambientes muito secos. A especialista sugere atenção a roupas e ao conforto térmico, além de medidas para melhorar a umidade do ar e manter a hidratação do corpo.

“O cuidado não termina com o creme – ele deve ser holístico. Um tecido sintético, uma etiqueta que arranha ou um ambiente com ar-condicionado muito seco podem desfazer todo o bom trabalho da hidratação”, conclui.

Em caso de piora importante da coceira, feridas, sinais de infecção ou crises frequentes, a recomendação é buscar avaliação com dermatologista antes de iniciar ou trocar produtos e tratamentos.