Ginecologia e Obstetrícia

Estudo revela como a psoríase pode chegar às articulações e causar dor

Pesquisa na Nature Immunology descreve a migração de células do sistema imune da pele para as juntas e aponta um possível caminho para identificar, no sangue, quem tem maior risco de artrite psoriática.

Por Redação Brazil Health , 18/06/2026

3 min de leitura

Estudo revela como a psoríase pode chegar às articulações e causar dor

Um estudo publicado na revista Nature Immunology trouxe novas pistas sobre por que parte das pessoas com psoríase – doença inflamatória que provoca placas avermelhadas e descamação na pele – desenvolve também inflamação nas articulações, quadro conhecido como artrite psoriática. A condição pode causar dor, inchaço e rigidez e, sem tratamento, levar a danos permanentes.

Segundo a dermatologista Glauce Eiko, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, estima-se que 20% a 30% dos pacientes com psoríase apresentem comprometimento articular ao longo do tempo. “Durante anos, os médicos não entenderam completamente por que a psoríase progredia para doença articular em alguns pacientes, mas não em outros”, afirma.

O que a pesquisa encontrou

De acordo com a especialista, o trabalho descreve que a inflamação na pele favorece a formação de células imunológicas precursoras, capazes de entrar na corrente sanguínea e, posteriormente, alcançar as articulações. “Essas células não ficam confinadas à pele. Segundo os pesquisadores, elas podem entrar na corrente sanguínea e, posteriormente, chegar às articulações”, diz.

O estudo sugere, porém, que a presença dessas células nas juntas não é suficiente, por si só, para causar artrite. O que acontece no ambiente da própria articulação parece ser decisivo para que a inflamação se instale.

Interação com células da articulação

O mecanismo descrito envolve a interação das células imunes migratórias com fibroblastos – células do tecido conjuntivo que participam do equilíbrio e da proteção das articulações. “Assim que as células imunes chegam, elas interagem com os fibroblastos, que são células do tecido conjuntivo que normalmente ajudam a manter o equilíbrio e a proteger a articulação”, explica Glauce.

Em pessoas que desenvolvem artrite psoriática, essa resposta protetora seria menos eficiente, permitindo que as células inflamatórias se multipliquem e desencadeiem a inflamação articular. “Como resultado, as células inflamatórias que entram na articulação não podem ser controladas e acabam desencadeando uma reação inflamatória na articulação”, afirma. A médica compara o processo, em termos de dinâmica, à necessidade de “células migratórias e um microambiente favorável” para a progressão da doença.

Possível detecção no sangue e prevenção

Outro achado destacado é a possibilidade de identificar essas células no sangue antes do início dos sintomas nas articulações. “Essa descoberta pode possibilitar a identificação de pacientes com maior risco mais cedo do que nunca”, diz a dermatologista. Na prática, isso pode abrir caminho para estratégias de prevenção, com terapias voltadas a bloquear a migração ou a ação dessas células antes que o dano articular comece.

Glauce reforça que o acompanhamento regular é importante para reduzir complicações. “A inflamação não tratada é perigosa, independentemente da gravidade da doença”, afirma. Segundo ela, o controle pode envolver diferentes abordagens, como tratamentos tópicos, medicamentos sistêmicos, imunobiológicos e fototerapia, além de monitoramento clínico e laboratorial para rastrear comorbidades.