Ginecologia e Obstetrícia

Doenças de pele atingem quase 5 bilhões no mundo e jovens adiam ida ao dermatologista

No Dia Mundial da Saúde da Pele, SBD alerta para o impacto das condições dermatológicas e para o risco de seguir dicas de redes sociais sem avaliação médica.

Por Redação Brazil Health , 08/07/2026

4 min de leitura

Doenças de pele atingem quase 5 bilhões no mundo e jovens adiam ida ao dermatologista

Doenças de pele afetam entre 4,7 e 4,9 bilhões de pessoas no mundo e estão entre as principais causas globais de incapacidade, segundo dados publicados na revista científica The Lancet. O volume de casos e o impacto na rotina dos pacientes dão o tom do Dia Mundial da Saúde da Pele, campanha internacional da Liga das Sociedades Dermatológicas (ILDS), apoiada no Brasil pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Além dos sintomas físicos, essas condições podem interferir na saúde mental, na produtividade e no convívio social. Ainda assim, a estimativa é de que menos da metade das pessoas acometidas tenha acesso adequado a atendimento dermatológico. A literatura médica descreve entre 2 mil e 3 mil doenças cutâneas, incluindo infecções, inflamações crônicas, doenças tropicais negligenciadas e cânceres de pele.

“Os números demonstram que a saúde da pele precisa ser encarada como uma prioridade em saúde pública. Estamos falando de doenças que afetam bilhões de pessoas e que muitas vezes são negligenciadas”, afirma o presidente da SBD, Carlos Barcaui.

OMS reconhece a pele como prioridade global

O tema ganhou reforço em 2025, com a aprovação de uma resolução da Organização Mundial da Saúde (OMS) que reconhece as doenças de pele como prioridade global em saúde pública. Entre as recomendações, estão ampliar o acesso a diagnóstico e tratamento, fortalecer a assistência especializada, investir em educação da população e enfrentar o estigma que pode acompanhar doenças visíveis.

Redes sociais viram primeira fonte de informação

No Brasil, uma pesquisa Datafolha apontou aumento do interesse por cuidados com a pele, mas nem sempre com orientação profissional. Segundo o levantamento, 54% dos brasileiros dizem buscar informações sobre cuidados, produtos, procedimentos e profissionais. Entre eles, as redes sociais aparecem como principal fonte: 19% recorrem a plataformas digitais e criadores de conteúdo, e 9% procuram orientações no YouTube.

Em contrapartida, 14% dizem buscar médicos presencialmente, enquanto 13% usam sites de busca e páginas médicas. O recorte por idade chama atenção: entre jovens de 16 a 24 anos com acne, 70% ainda não procuraram um dermatologista, embora a condição seja citada pela SBD como o motivo mais comum de consulta dermatológica no país.

“Observamos que muitos buscam informações nas redes sociais e experimentam produtos por influência digital, mas deixam de procurar avaliação especializada. A orientação médica continua sendo fundamental para garantir diagnósticos corretos, tratamentos eficazes e segurança para os pacientes”, diz Barcaui.

Ação no RS foca população indígena e prevenção de câncer de pele

Como parte das atividades do Dia Mundial da Saúde da Pele, a SBD anunciou apoio a uma iniciativa de assistência periódica na Terra Indígena Guarita, no norte do Rio Grande do Sul, com atenção a pessoas com albinismo e ações de prevenção do câncer de pele.

A região entrou no radar de pesquisadores após atendimentos do Departamento de Genética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) identificarem uma ocorrência de albinismo acima da observada na população geral, motivando estudos e acompanhamento. A mobilização, chamada de Projeto Guarita pela SBD, prevê a participação de dermatologistas voluntários e terá nova edição em 16 e 17 de julho, integrada ao calendário brasileiro da campanha internacional.

“O Projeto Guarita representa de forma concreta o espírito da campanha mundial. Além de conscientizar a população sobre a importância da saúde da pele, buscamos ampliar o acesso ao cuidado dermatológico em populações que enfrentam maiores barreiras de assistência”, conclui Barcaui.