Brasileiros buscam dicas de pele nas redes, mas poucos vão ao dermatologista
Pesquisa aponta que redes sociais viraram a principal fonte de orientação para cuidados com a pele; especialista alerta para riscos de misturar produtos, atrasar diagnósticos e ignorar sinais como feridas que não cicatrizam e pintas que mudam.
Por Redação Brazil Health , 20/07/2026
4 min de leitura
Enquanto doenças de pele afetam entre 4,7 e 4,9 bilhões de pessoas no mundo, muitos brasileiros ainda preferem procurar informações na internet antes de buscar orientação médica. O tema ganhou peso global após a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhecer, em 2025, as doenças dermatológicas como prioridade de saúde pública, com foco em ampliar acesso a informação, diagnóstico e tratamento.
No Brasil, uma pesquisa Datafolha indica que 54% da população busca conteúdos sobre cuidados com a pele, produtos e procedimentos. Entre esses, 19% recorrem a redes sociais e criadores de conteúdo, e apenas 14% procuram um profissional de saúde.
Entre jovens, o distanciamento do consultório é ainda maior. Levantamento da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) aponta que 70% dos brasileiros de 16 a 24 anos com acne, uma das principais queixas nessa faixa etária, nunca passaram por um dermatologista.
Quando a pele sinaliza um problema
Para a dermatologista Camila Mazza, a ideia de que o especialista deve ser procurado apenas por razões estéticas contribui para atrasos no diagnóstico de doenças. “A pele é um órgão e merece ser cuidada como qualquer outro. Manchas, feridas que não cicatrizam, coceiras persistentes, descamação, pintas que mudam de tamanho, cor ou formato e lesões que sangram podem indicar doenças que precisam de avaliação médica”, afirma.
A médica lembra que a pele tem funções vitais, como proteger o corpo, ajudar no controle da temperatura e atuar como barreira contra agentes externos. “Cuidar da pele também é prevenir, diagnosticar cedo e tratar corretamente”, diz.
Risco de automedicação e tendências
No consultório, Mazza relata aumento de casos em que o problema começa com tentativas de tratamento guiadas por conteúdos online. “Hoje muitas pessoas começam um tratamento pela internet, misturam ativos, seguem tendências e só procuram um médico quando a pele já está sensibilizada ou apresenta complicações. Informação é importante, mas precisa vir de fontes confiáveis. Nem toda rotina serve para todos os tipos de pele”, alerta.
Além de incômodos comuns, alterações persistentes podem estar relacionadas a inflamações, infecções, alergias e até alguns tipos de câncer. “A pele conversa com o nosso organismo o tempo todo. Quanto mais cedo aprendemos a observar seus sinais e adotamos hábitos simples de prevenção, maiores são as chances de manter não apenas uma pele saudável, mas também uma melhor qualidade de vida”, afirma.
Cuidados básicos para o dia a dia
Especialistas recomendam medidas simples de prevenção e atenção aos sinais do corpo:
- Use protetor solar diariamente, inclusive em dias nublados e no inverno.
- Hidrate a pele com produtos adequados ao seu tipo, especialmente após o banho.
- Evite banhos muito quentes e demorados, que podem prejudicar a barreira de proteção da pele.
- Não copie rotinas de skincare vistas nas redes sociais; o que funciona para uma pessoa pode irritar ou piorar problemas em outra.
- Fique atento a manchas que mudam, feridas que não cicatrizam, coceira persistente, descamação e lesões que sangram.
- Evite automedicação e o uso de ácidos ou produtos sem orientação profissional.
- Procure acompanhamento dermatológico, principalmente em caso de histórico familiar de câncer de pele ou alterações persistentes.
Em caso de sintomas que não melhoram ou pioram com o tempo, a orientação é buscar avaliação médica para evitar complicações e reduzir o risco de diagnóstico tardio.
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