Ginecologia e Obstetrícia

Albinismo: mitos sobre sol e visão atrapalham cuidados e aumentam riscos à saúde

Condição ligada à baixa produção de melanina exige acompanhamento com oftalmologista e dermatologista, mas não impede autonomia. Especialistas explicam por que informação correta é crucial para prevenção e inclusão.

Por Redação Brazil Health , 19/06/2026

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Albinismo: mitos sobre sol e visão atrapalham cuidados e aumentam riscos à saúde

Ideias equivocadas sobre albinismo ainda influenciam decisões do dia a dia, atrasam cuidados de saúde e reforçam preconceitos. Entre os mitos mais comuns estão a crença de que toda pessoa com albinismo é cega, de que a sensibilidade à luz é leve e de que qualquer exposição ao sol deve ser proibida. Na prática, a desinformação pode aumentar riscos, especialmente para a pele e para o desenvolvimento visual na infância.

O albinismo é caracterizado pela ausência ou redução de melanina, pigmento responsável pela cor da pele, do cabelo e dos olhos. Essa alteração pode trazer impactos principalmente na visão e na proteção natural da pele contra a radiação solar, o que torna o acompanhamento médico contínuo uma medida de prevenção.

Visão: nem todo mundo é cego, mas a fotofobia pode ser intensa

A oftalmologista Fernanda Wiezel, do Hospital Dia M’Boi Mirim II, explica que a capacidade visual varia muito entre as pessoas com albinismo. “A capacidade visual das pessoas com albinismo varia bastante. Existem casos em que a visão pode corresponder a cerca de 50% do normal, enquanto em outros pode ser inferior a 10%”, afirma.

Segundo ela, alterações associadas à pouca melanina nos olhos podem causar fotofobia, redução da acuidade visual e mudanças no campo visual, além de problemas como miopia, astigmatismo e hipermetropia. A sensibilidade à luz, por sua vez, costuma ir além de um incômodo. “A sensibilidade à luz costuma ser intensa e pode causar impactos importantes no dia a dia”, diz a médica, citando dificuldades para leitura, uso de telas e deslocamentos em ambientes muito iluminados.

Diagnóstico na infância pode melhorar o desenvolvimento visual

Para crianças, o diagnóstico precoce é um ponto-chave para reduzir impactos no desenvolvimento. “O diagnóstico precoce permite iniciar medidas de proteção visual desde a infância”, afirma Wiezel. Ela destaca que o acompanhamento nos primeiros anos de vida também ajuda a identificar condições associadas, como catarata congênita, estrabismo e nistagmo, favorecendo intervenções mais cedo.

Pele: exposição ao sol é possível, mas com proteção reforçada

Do ponto de vista dermatológico, a orientação não é proibir o sol, e sim planejar a exposição. “É permitido tomar sol, mas com cuidados redobrados e muita proteção”, afirma o dermatologista Eduardo Rebechi, do Hospital Dia Campo Limpo. Ele recomenda evitar os horários de maior radiação, preferindo atividades antes das 10h e após as 16h.

O médico reforça que pessoas com albinismo têm maior risco de câncer de pele. “A ausência ou baixa produção de melanina torna a pele mais vulnerável aos danos causados pela exposição solar”, explica. Sinais de alerta incluem feridas que não cicatrizam, manchas que mudam de cor ou tamanho, sangramentos espontâneos e lesões persistentes. Para Rebechi, consultas regulares com dermatologista ajudam a identificar alterações mais cedo e reduzir a necessidade de tratamentos mais invasivos.

Com acompanhamento médico e adaptações no cotidiano, pessoas com albinismo podem estudar, trabalhar e manter uma vida ativa. Especialistas ressaltam que informação de qualidade faz parte do cuidado, ao orientar prevenção e reduzir barreiras criadas por mitos e estigmas.