Depressão

Processos Inflamatórios Podem Agravar Depressão e Dificultar Tratamento, Aponta Estudo

Pesquisa mostra que um terço dos pacientes depressivos apresenta níveis elevados de substâncias inflamatórias no sangue e reforça a importância de hábitos saudáveis na prevenção e tratamento.

Por Redação Brazil Health , 24/09/2025

3 min de leitura

Processos Inflamatórios Podem Agravar Depressão e Dificultar Tratamento, Aponta Estudo

Mais de 280 milhões de pessoas enfrentam a depressão em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, cerca de 12,3% da população já foi diagnosticada com a doença, que é uma das principais causas de incapacidade entre adultos. Recentemente, um estudo publicado na revista Pharmacological Research acrescentou uma nova dimensão ao debate: a influência dos processos inflamatórios no desenvolvimento e agravamento do transtorno depressivo maior.

Segundo o psiquiatra Eric Cretaz, do Hospital Sírio-Libanês, a ciência já reconhece uma ligação importante entre inflamação e depressão. “Pacientes deprimidos podem apresentar níveis mais elevados de interleucinas inflamatórias do que pessoas sem depressão. Além disso, processos inflamatórios podem gerar sintomas muito semelhantes aos da doença, como fadiga, alterações no sono, apetite e energia”, explica.

O trabalho, liderado por pesquisadores do Harbin Institute of Technology, na China, identificou que aproximadamente um terço dos pacientes portadores de depressão possui taxas altas de marcadores inflamatórios no sangue, incluindo interleucina-6, TNF-α e proteína C-reativa. Os autores do estudo destacam ainda que abordagens anti-inflamatórias, indo de medicamentos a práticas de exercício físico, estão sendo testadas como complementares ao tratamento tradicional da depressão.

“Esses fatores podem desencadear um ciclo vicioso, já que hábitos como má alimentação, sono irregular e sedentarismo prejudicam a imunidade e agravam os sintomas depressivos”, alerta Cretaz. Ele salienta que nem todos os pacientes apresentarão tais alterações e que ainda não existe um exame laboratorial capaz de diagnosticar a depressão.

A pesquisa também observou que pacientes com maiores níveis de substâncias inflamatórias tendem a responder de forma menos eficiente aos antidepressivos convencionais. Cretaz explica que, embora esses remédios possam reduzir discretamente os marcadores inflamatórios, o resultado prático costuma ser limitado. No entanto, o uso de anti-inflamatórios e imunobiológicos é uma possibilidade sendo investigada para um grupo específico de pacientes.

  • prática regular de atividades físicas
  • manutenção do peso adequado
  • bons hábitos de sono
  • alimentação equilibrada

Essas medidas são apontadas como estratégias-chave tanto para conter processos inflamatórios quanto para o controle da depressão. “Quando associadas ao tratamento farmacológico e à psicoterapia, ampliam muito as chances de melhora”, finaliza o psiquiatra do Sírio-Libanês.