Cuidados Paliativos

Saúde Mental e Dignidade: O Papel dos Cuidados Paliativos para Viver Bem Até o Fim

Especialistas ressaltam o papel da saúde mental no bem-estar de pacientes e famílias diante de doenças graves.

Por Redação Brazil Health , 20/10/2025

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Saúde Mental e Dignidade: O Papel dos Cuidados Paliativos para Viver Bem Até o Fim

Cuidados paliativos costumam ser confundidos com a proximidade da morte. No entanto, sua verdadeira missão é promover qualidade de vida para quem enfrenta doenças graves, oferecendo alívio para o sofrimento físico e emocional, tanto dos pacientes quanto de suas famílias.

A psiquiatra Paula Correa de Araújo, do grupo ViV Saúde Mental e Emocional, defende que esse suporte vai além do cuidado médico tradicional e exige atenção redobrada à saúde mental. “Cuidar da saúde mental é cuidar da vida. Nos cuidados paliativos, isso significa reconhecer o sofrimento como legítimo e oferecer recursos para que o paciente e sua família atravessem esse momento com sentido e equilíbrio”, afirma.

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 56,8 milhões de pessoas no mundo precisam de cuidados paliativos a cada ano. No Brasil, aproximadamente 1 milhão de pessoas carecem desse tipo de atendimento, mas menos de 15% têm acesso efetivo a serviços especializados, segundo a Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP).

Saúde mental no centro do cuidado

O suporte psiquiátrico é essencial para tratar sentimentos muito presentes nesse contexto, como ansiedade, depressão, medo e sensação de perda de autonomia. “Não se trata apenas de tratar sintomas, mas de ajudar o paciente a reencontrar propósito, mesmo diante da finitude”, destaca Paula.

Diversas terapias vêm se mostrando eficazes nesse cenário, como a Meaning-Centered Psychotherapy, inspirada na Logoterapia de Viktor Frankl, e a Dignity Therapy, que estimula reflexões sobre legado e identidade. Já a abordagem CALM ajuda pacientes com câncer avançado a enfrentar o sofrimento emocional. Pesquisas divulgadas em revistas internacionais apontam que essas intervenções reduzem sintomas depressivos e ansiosos, melhoram o bem-estar espiritual e aumentam os índices de qualidade de vida.

Acolhimento para toda a família

O sofrimento não é exclusivo dos pacientes e frequentemente afeta também familiares, que lidam com o luto antecipado e sobrecarga emocional. O acompanhamento psiquiátrico pode incluir desde psicoeducação até grupos de apoio e psicoterapia breve, colaborando para evitar quadros de luto patológico após a perda do ente querido. “Quando acolhemos o sofrimento da família, também estamos cuidando do paciente”, ressalta Paula.

O benefício de começar cedo

Especialistas indicam que o suporte à saúde mental deve começar logo após o diagnóstico da doença grave. “Esperar até as fases finais priva o paciente de recursos importantes para viver com mais autonomia e serenidade”, diz Paula. Um estudo recente da revista The Lancet Global Health revelou que a integração precoce dos cuidados paliativos pode aumentar em até 30% a qualidade de vida e reduzir em mais de 40% o sofrimento emocional dos pacientes.

Compreender o papel dos cuidados paliativos significa resgatar o sentido do cuidado verdadeiro. Para Paula, não é sobre desistir do tratamento, mas sim reafirmar a vida, oferecendo dignidade, conforto e saúde mental mesmo perante a finitude.