Cuidados Oculares

Investimento de Menos de 1% na Saúde Ocular Poderia Gerar R$ 42 Bilhões ao Ano no Brasil

Estudo revela que investimento mínimo em prevenção e tratamento da visão traria ganhos econômicos e sociais com impacto em saúde, educação e trabalho.

Por Redação Brazil Health , 15/10/2025

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Investimento de Menos de 1% na Saúde Ocular Poderia Gerar R$ 42 Bilhões ao Ano no Brasil

Um levantamento divulgado pela Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira (IAPB), em parceria com a Fundação Seva e a Fundação Fred Hollows, aponta que o Brasil poderia obter benefícios financeiros expressivos ao destinar menos de 1% do orçamento da saúde para a prevenção e tratamento de problemas de visão. De acordo com o relatório, um investimento de R$ 1,55 bilhão poderia resultar em um retorno anual de R$ 42 bilhões, valor 27 vezes maior que o aplicado.

Segundo estimativas da IAPB, até 90% dos casos de cegueira e deficiência visual no país podem ser prevenidos ou tratados. Os impactos negativos da perda de visão vão muito além da saúde, afetando o rendimento escolar, as chances de emprego e a qualidade de vida das famílias brasileiras.

Prevenção gera ganhos em produtividade e qualidade de vida

O estudo aponta que ao investir em saúde ocular, o Brasil teria ganhos de empregabilidade de R$ 16,8 bilhões por ano e aumento de produtividade de R$ 9,36 bilhões. Além disso, ações preventivas, como exames em escolas e acesso facilitado a óculos, poderiam evitar cerca de 60 mil casos de depressão e quase 14 mil acidentes de trânsito ao ano. O investimento também significaria o equivalente a 139 mil anos a mais em escolaridade para crianças e jovens brasileiros.

Casos como o de Lorrayne Compri, moradora de São Carlos (SP), ilustram a diferença que o acesso a tratamentos pode fazer. Diagnosticada com estrabismo ainda na infância, Lorrayne só conseguiu realizar a cirurgia corretiva de forma gratuita aos 30 anos. "A cirurgia mudou completamente a minha vida", conta. "Passei anos me escondendo e com a autoestima abalada, mas depois do procedimento tudo mudou."

Desafios e prioridades para ampliar o acesso

Entre as medidas consideradas prioritárias para diminuir os casos de cegueira no Brasil, o relatório destaca o aumento do acesso a exames preventivos em comunidades e em escolas, distribuição de óculos, melhorias no sistema de cirurgias oculares, superação de barreiras de custo e estigma, e o uso de tecnologias inovadoras, como a biometria e novos padrões cirúrgicos para catarata.

Helena Abia Domingos Lucena, de 12 anos, enfrentou resistência no diagnóstico de uma lesão ocular. Foi um exame simples na escola que alertou sobre a suspeita, possibilitando o tratamento adequado. “Fizemos um acompanhamento com colírios, e agora seguimos monitorando com especialistas”, relata sua mãe, Carla Kate da Silva.

Para Caio Abujamra, presidente do Instituto Suel Abujamra, o país precisa olhar com mais atenção para o tema. “O impacto vai muito além do financeiro. Investir em saúde dos olhos é prevenir depressão, acidentes, melhorar oportunidades e dignidade, principalmente em um país com tantas desigualdades”, observa.

Visão como prioridade nacional

Peter Holland, diretor-executivo da IAPB, defende a centralidade do tema na agenda pública. “Temos soluções claras e acessíveis, como ampliar os exames de vista e aperfeiçoar as cirurgias de catarata. Ao investir em visão, estamos investindo no futuro”, conclui.