Crianças

Lagartas no verão: riscos para crianças e o que fazer em caso de acidente

Acidentes crescem nos meses quentes; especialista orienta como reconhecer sintomas e buscar ajuda

Por Redação Brazil Health , 30/01/2026

3 min de leitura

Lagartas no verão: riscos para crianças e o que fazer em caso de acidente

Com a chegada do calor, aumenta a circulação de lagartas em áreas verdes e, com ela, o risco de acidentes em crianças. Entre 2019 e 2023, o Brasil registrou mais de 26 mil ocorrências, e uma em cada cinco vítimas tinha até 9 anos, segundo o Ministério da Saúde. Diante do cenário, o Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, reforça orientações de prevenção e primeiros socorros.

“Crianças apresentam maior risco, pois têm maior carga de toxicidade em relação ao peso corporal, um sistema imune mais frágil e risco de sangramento grave. Além disso, elas têm dificuldade em relatar os sintomas de maneira precoce e maior chance de contato em brincadeiras”, afirma a dermatologista pediátrica Flavia Prevedello.

Sinais e espécies de maior risco

O contato com as cerdas das lagartas injeta toxinas na pele, quadro conhecido como erucismo. Em cerca de 70% dos casos, mãos e braços são as áreas mais afetadas. Os sinais costumam surgir logo após o contato, com:

  • dor intensa
  • ardência ou queimação
  • vermelhidão e inchaço
  • lesões semelhantes à urticária

A maioria dos casos evolui bem, mas algumas espécies exigem atenção. Lagartas “cabeludas” escondem cerdas urticantes, enquanto as “espinhudas” incluem o gênero Lonomia, associado a acidentes hemorrágicos. Nessa situação, o veneno pode alterar a coagulação, causar manchas roxas, sangramento em gengivas e urina, além de, em casos graves, levar à insuficiência renal e risco de morte sem atendimento rápido. “Há uma piora progressiva nas primeiras seis a 12 horas após o contato com a Lonomia”, alerta Prevedello.

Como agir e quando procurar ajuda

Ao notar o contato da criança com lagarta, especialistas recomendam medidas simples de primeiros socorros e avaliação imediata em serviço de saúde:

  • remover as cerdas com fita adesiva
  • lavar a área com água e sabão
  • aplicar compressa fria para aliviar a dor
  • usar analgésico indicado para a idade
  • procurar uma unidade de pronto atendimento sem demora
  • se possível, fotografar ou relatar ao profissional características do inseto (tipo, cor e tamanho)

Segundo a dermatologista, não se deve esfregar o local, aplicar substâncias caseiras (como álcool ou vinagre), fazer torniquete, sucção ou cortes. Também não é recomendado usar anti-inflamatórios nem aspirina, devido ao risco de sangramento nos acidentes por Lonomia.

O soro antilonômico é o tratamento específico para envenenamento moderado e grave por Lonomia e está disponível gratuitamente no SUS, produzido pelo Instituto Butantan. Na dúvida sobre a espécie ou diante de sangramentos, a orientação é buscar atendimento imediatamente.

Em emergências, o SAMU atende pelo 192. O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) oferece suporte 24 horas no telefone 0800 644 6774.

Prevenção

Desmatamento, queimadas e desequilíbrios ambientais aproximam esses insetos das cidades. Para reduzir riscos, especialmente em parques, quintais e áreas arborizadas:

  • observar troncos, folhas e galhos antes de tocar
  • não manusear lagartas, mesmo mortas, pois as cerdas mantêm toxinas
  • usar luvas ao lidar com vegetação
  • evitar áreas com relatos de surtos de lagartas
  • redobrar a vigilância com crianças em ambientes externos