Crescimento Desproporcional

Campanha Nacional Destaca Sinais de Alerta para Doenças Ósseas em Crianças e Jovens

Campanha nacional chama a atenção para diagnóstico precoce de doenças osteometabólicas na infância

Por Redação Brazil Health , 17/08/2025

3 min de leitura

Campanha Nacional Destaca Sinais de Alerta para Doenças Ósseas em Crianças e Jovens

Crescimento fora do padrão, fraturas sem grandes traumas e perda de dentes antes da hora podem indicar mais do que apenas peculiaridades da infância. Esses sintomas podem ser manifestações de doenças osteometabólicas pediátricas, grupo de distúrbios que afetam a formação e resistência dos ossos, com impactos sérios no desenvolvimento infantil.

Com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre o tema, a Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO) lança no dia 12 de agosto a Campanha Nacional de Conscientização das Doenças Osteometabólicas Pediátricas. O evento traz o lema: “Saúde Óssea Pediátrica: Prevenção e Tratamento desde a gestação até a juventude!”

Segundo Dr. Guido Colares, endocrinologista pediátrico e membro da ABRASSO, o diagnóstico dessas doenças ainda é um desafio. “Os sinais costumam ser discretos: alterações na postura, no crescimento ou na forma de andar. Infelizmente, muitos desses sintomas são vistos como parte natural da infância, o que dificulta o diagnóstico precoce”, afirma Colares.

Entre os sintomas que merecem atenção, destacam-se:

  • deformidades ósseas, como pernas tortas e arqueamento dos braços
  • alterações na coluna e no crânio
  • baixa estatura sem relação direta ao restante do corpo
  • fraturas durante atividades comuns do dia a dia
  • alterações dentárias precoces
  • dor óssea persistente
  • hipercrescimento localizado
  • fraqueza muscular sem causa aparente

A lista de doenças inclui patologias genéticas como a osteogênese imperfeita, presente em até um a cada 15 a 20 mil nascidos vivos, marcada por fraturas recorrentes e deformidades graves. Outra doença citada é a hipofosfatemia ligada ao X, que pode acometer até quatro a cada 100 mil crianças, mas frequentemente passa despercebida.

Já entre as doenças adquiridas, a osteoporose induzida por medicamentos como glicocorticoides é prevalente, especialmente em crianças com doenças crônicas. “Em casos de distrofia muscular de Duchenne, metade dos pacientes chega a sofrer fraturas ósseas”, alerta Dr. Colares. Outro fator relevante é a Doença Metabólica Óssea da Prematuridade, que pode afetar até 40% dos recém-nascidos com menos de 1,5 kg, reforçando a necessidade de triagem em UTIs neonatais.

Dr. Colares ressalta a urgência de ampliar o olhar clínico. “Queremos chamar a atenção dos profissionais de saúde, das famílias e dos gestores públicos. Muitas dessas doenças não entram no radar clínico e, por isso, não são diagnosticadas a tempo”, diz o especialista. O diagnóstico precoce e tratamento oportuno são fundamentais. “Quando tratados cedo, conseguimos evitar deformidades e melhorar muito a qualidade de vida dessas crianças”, complementa.

A campanha da ABRASSO salienta que a conscientização é o primeiro passo para mudar a realidade de milhares de crianças afetadas por doenças ósseas silenciosas, mas com tratamento disponível e efetivo.