Coqueluche

Casos de Coqueluche Disparam no Brasil em 2024 e Exigem Vacinação e Diagnóstico Rápido

Com aumento expressivo de casos e mortes em bebês, a volta da coqueluche evidencia o impacto da queda na vacinação e preocupa profissionais de saúde em todo o país.

Por Redação Brazil Health , 24/08/2025

3 min de leitura

Casos de Coqueluche Disparam no Brasil em 2024 e Exigem Vacinação e Diagnóstico Rápido

A coqueluche, infecção respiratória antes considerada sob controle no Brasil, voltou a preocupar autoridades de saúde, profissionais e famílias. Em 2024, o país já ultrapassa 7.500 casos notificados, aumento de mais de 30 vezes em relação ao ano passado. Entre as treze mortes confirmadas, todas ocorreram em bebês de menos de um ano, filhos de mães que não foram imunizadas durante a gestação.

O cenário evidencia o impacto da queda das coberturas vacinais, fenômeno observado nos últimos anos. “Infelizmente, estamos vivenciando um retrocesso. A hesitação vacinal e a desinformação têm consequências graves, principalmente para os mais vulneráveis, como os recém-nascidos”, afirma a pneumologista pediatra Dra. Eliandra da Silveira de Lima. Segundo o Ministério da Saúde, em 2023, a cobertura da vacina pentavalente ficou em 85,71% e da DTP, no primeiro reforço, em 78,28% — abaixo da meta de 95% recomendada para conter a expansão da doença.

Causada pela bactéria Bordetella pertussis, a coqueluche se manifesta com crises intensas de tosse e pode evoluir para quadros graves, como pneumonia e convulsões. Por ser altamente contagiosa, demanda vigilância constante, principalmente entre crianças pequenas e mais suscetíveis a complicações.

O diagnóstico correto e rápido é fundamental para interromper cadeias de transmissão e salvar vidas. “Entre as metodologias para diagnosticar a doença, a cultura de secreção nasofaríngea é o padrão ouro, mas a PCR em tempo real é o método mais sensível e rápido disponível”, explica Dra. Daniela Leite, responsável pelo Centro de Referência Nacional para Coqueluche do Instituto Adolfo Lutz. Ela destaca os testes sindrômicos por painel, que conseguem identificar, a partir de uma única amostra, se a infecção é causada pela Bordetella pertussis ou por outros agentes respiratórios.

  • detectam diversos patógenos em cerca de uma hora;
  • otimizam o início do tratamento e reduzem internações desnecessárias;
  • diminuem o tempo de atendimento em emergências;
  • evitam o uso excessivo de antibióticos e monitoram surtos.

Apesar das vantagens, especialistas apontam desafios para adoção em larga escala desses testes no SUS, como custo, logística e desigualdade no acesso. “Ainda enfrentamos barreiras importantes, mas os benefícios de diagnóstico rápido e assertivo são evidentes”, ressalta Dra. Eliandra.

Diante da alta dos casos, especialistas reforçam a necessidade de recuperar as taxas de vacinação, investir em reforço vacinal para adolescentes e adultos e ampliar o acesso a ferramentas diagnósticas modernas. “Estamos diante de uma crise evitável. É preciso agir com responsabilidade e ciência para evitar uma nova epidemia de coqueluche e de outras infecções respiratórias graves”, conclui Dra. Daniela Leite.