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Livro infantil aposta no acolhimento para lidar com a criança que não quer comer

“O menino que selecionava sabores”, de Francisco Neto, narra a história de Ravi, 3 anos, e propõe caminhos sem pressão para ampliar o cardápio das crianças.

Por Redação Brazil Health , 08/11/2025

3 min de leitura

Livro infantil aposta no acolhimento para lidar com a criança que não quer comer

Um novo título infantil coloca no centro da conversa um drama comum em muitas casas: a criança que não quer comer. Em O menino que selecionava sabores, o escritor Francisco Neto Pereira Pinto transforma o tema em narrativa afetuosa e acessível.

O protagonista é Ravi, de três anos, que recusa a maioria dos alimentos. Na rotina, entram quase sempre arroz com feijão, macarrão e ovos mexidos, cenário que preocupa os pais.

Mesmo após consultas com pediatras e nutricionistas, a situação pouco muda. Com isso, cresce a pressão para “variar o prato” — e, com ela, a tensão nas refeições.

A virada acontece quando a avó entra em cena. Com jeito acolhedor, ela convida o neto a experimentar, sem obrigar nem apressar.

Sem pressão, com afeto

Entre brincadeiras e descobertas, Ravi é apresentado a novos sabores com uma condição clara: se não gostar, pode parar. A regra simples desarma resistências e abre espaço para a curiosidade.

“Era uma palavra linda, vestida de mágica: experimenta”, diz um trecho do livro, ao descrever o convite da Vovó Sebastiana.

A obra propõe olhar sensível para a seletividade alimentar, destacando o papel do acolhimento e do vínculo na construção de uma relação mais leve com a comida.

“Meus dois filhos tiveram episódios de seletividade alimentar”, afirma o autor. “A questão vai além de um prato colorido. Cada cuidador deve se perguntar: qual a minha herança alimentar e o que estou transmitindo, mesmo sem perceber?”.

Ao provocar essa reflexão, o livro convida adultos a revisitar hábitos e a transformar a rotina à mesa com menos cobrança e mais presença.

Apoio de especialistas

O prefácio é assinado por Thalita Lin Netto Cândido, nutricionista e doutora em Ciências da Nutrição, que atende famílias em situações semelhantes e apresenta estratégias práticas para a introdução alimentar.

O título dialoga com pais, mães, cuidadores, educadores e profissionais de saúde, oferecendo um ponto de partida para conversas difíceis — e necessárias — sobre alimentação infantil.

Imagens que abrem o apetite

As ilustrações de Fabiana Correa trazem cores vivas e uma variedade de frutas, verduras e legumes, estimulando o contato das crianças com novos alimentos.

O visual lúdico reforça a ideia de explorar texturas e sabores de forma divertida, sem pressão e no tempo da criança.

Mais do que “fazer comer”, o livro aponta para caminhos possíveis de convivência com a seletividade, respeitando limites e ampliando repertórios aos poucos.

O menino que selecionava sabores se coloca como leitura leve e útil para famílias que buscam transformar o momento da refeição em encontro, não em disputa.