Colesterol

Diretrizes Brasileiras Endurecem Metas do LDL e Incluem Teste de Lipoproteína

SBC inclui a lipoproteína(a) na avaliação de risco, endurece metas de LDL e aposta em prevenção personalizada.

Por Redação Brazil Health , 24/10/2025

3 min de leitura

Diretrizes Brasileiras Endurecem Metas do LDL e Incluem Teste de Lipoproteína

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) atualizou a Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose e trouxe mudanças que podem alterar a rotina de prevenção no país. Entre as novidades está a recomendação para medir, pelo menos uma vez na vida, a lipoproteína(a), apelidada de “colesterol oculto”.

Esse marcador genético, mais agressivo às artérias do que o LDL comum, pode estar elevado em cerca de 18% dos brasileiros — algo próximo de 38 milhões de pessoas — e não aparece no perfil lipídico convencional.

Teste único para medir o risco

“A lipoproteína(a) é como uma prima do LDL, mas com um potencial devastador maior. Uma a cada 5 pessoas tem níveis elevados, e isso não é detectado em exames convencionais”, explica André Zimerman, cardiologista e head da Unidade de Ensaios Clínicos do Hospital Moinhos de Vento, um dos autores do documento. “A boa notícia é que um único exame de sangue, feito uma vez na vida, é suficiente para detectar esse risco.”

Segundo os especialistas, a medição ajuda a explicar casos de infarto e AVC em pessoas jovens ou sem outros fatores de risco aparentes, permitindo ajustes mais precisos no plano de prevenção.

Metas mais rígidas para o LDL

A diretriz endurece as metas de colesterol LDL em toda a população. Para quem tem baixo risco cardiovascular, o limite caiu de 130 mg/dL para 115 mg/dL. Foi criada ainda a categoria de “risco extremo”, com alvo de LDL abaixo de 40 mg/dL.

As mudanças se baseiam em estudos que associam reduções mais intensas de LDL a menos eventos cardiovasculares, principal causa de morte no Brasil. Na prática, a decisão pode antecipar intervenções e ampliar o uso de terapias combinadas em pacientes selecionados.

“A medicina evolui para uma abordagem cada vez mais personalizada, permitindo identificar e tratar o risco cardiovascular de forma mais precisa, inclusive em pessoas que, à primeira vista, não teriam um colesterol tão elevado”, afirma Carisi Anne Polanczyk, chefe do Serviço de Cardiologia do Hospital Moinhos de Vento e coautora da diretriz.

O documento recomenda que os médicos avaliem o conjunto de fatores — como hipertensão, diabetes, tabagismo, sedentarismo e obesidade — para definir metas e estratégias individualizadas.

Tratamento no horizonte

Não há, por enquanto, remédios específicos aprovados para reduzir a lipoproteína(a). Mas terapias baseadas em tecnologia de RNA, que silenciam a produção da partícula no fígado, estão em fase final de estudos, com resultados esperados para 2026.

De acordo com os autores, ao menos três candidatos mostraram reduções superiores a 90% nos níveis de lipoproteína(a) em testes clínicos, o que pode abrir uma nova frente no controle do risco hereditário.

As atualizações foram apresentadas no 80º Congresso Brasileiro de Cardiologia e contam com a participação de especialistas de diversas instituições, entre elas o Hospital Moinhos de Vento. Para a população, a orientação é buscar avaliação médica e discutir a necessidade do exame e das metas de LDL à luz do risco individual.