Endocrinologia e Metabologia

Médicos de todas as áreas podem detectar sinais de risco e prevenir suicídio

Escuta qualificada, acolhimento e ação rápida tornam qualquer consulta um ponto de proteção para pacientes em sofrimento emocional

Por Redação Brazil Health , 18/11/2025

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Médicos de todas as áreas podem detectar sinais de risco e prevenir suicídio

Quando se fala em prevenção ao suicídio, muitos imaginam um trabalho restrito a psiquiatras e psicólogos. Mas a realidade clínica mostra outro cenário: os primeiros sinais de sofrimento emocional frequentemente aparecem no consultório de profissionais de diversas áreas da medicina. Queixas inespecíficas, alterações comportamentais e relatos de angústia podem surgir diante de clínicos gerais, neurologistas, cardiologistas, entre outros.

Segundo o médico Alfredo Salim, é comum que sintomas aparentemente físicos escondam condições emocionais relevantes. “Dor vaga, insônia persistente, fadiga sem explicação e até problemas gastrointestinais recorrentes podem refletir depressão ou ansiedade”, afirma. Mudanças bruscas de peso, falta de adesão ao tratamento e comentários de desesperança também devem acender um alerta.

A força da escuta humanizada

Para o especialista, a escuta empática é um dos instrumentos mais poderosos no atendimento inicial. “Não é preciso que todo médico seja psiquiatra, mas é essencial que todos saibam acolher”, diz Salim. Perguntas abertas, feitas sem julgamento, permitem que o paciente expresse dores que muitas vezes não aparecem em exames. Essa abordagem pode ser decisiva para identificar quem precisa de ajuda especializada.

A conversa humanizada também fortalece o vínculo com o paciente e abre espaço para que ele relate pensamentos ou sentimentos difíceis de verbalizar. Em muitos casos, esse primeiro passo é o que garante o encaminhamento correto e evita desfechos graves.

Quando agir com urgência

Qualquer suspeita de risco iminente deve ser tratada como emergência médica. As diretrizes da Associação Brasileira de Psiquiatria reforçam que comportamentos suicidas exigem ação imediata, o que inclui não deixar o paciente sozinho e providenciar atendimento especializado com urgência. “A rapidez nesse momento pode ser crucial para evitar uma tentativa”, explica Salim.

Além disso, médicos não psiquiatras podem orientar familiares, registrar a situação e garantir que o paciente chegue de forma segura ao serviço adequado. A atuação coordenada entre profissionais aumenta significativamente a chance de proteção.

A prevenção ao suicídio, portanto, não é responsabilidade de um único campo da medicina. O olhar atento de cada especialista, aliado ao acolhimento e à prontidão para agir, transforma qualquer consulta em oportunidade de cuidado integral. “Cuidar da saúde também é cuidar do emocional”, reforça Salim. No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, a mensagem é clara: cada médico pode ser um agente essencial na rede de proteção à vida.