Cannabis medicinal no Brasil: 7 dúvidas comuns sobre indicações, uso e segurança
Com mais pacientes em tratamento, especialistas reforçam que a terapia exige prescrição individualizada, escolha cuidadosa de substâncias como CBD e THC e acompanhamento médico para ajustar dose e monitorar efeitos.
Por Redação Brazil Health , 20/04/2026
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A cannabis medicinal vem ganhando espaço no Brasil como opção terapêutica para diferentes condições de saúde, especialmente quando tratamentos convencionais não trazem o resultado esperado. Segundo o Anuário 2025 da Kaya Mind, mais de 873 mil pacientes já utilizam produtos à base de cannabis no país.
Com o aumento do interesse, crescem também as dúvidas sobre para quem o tratamento é indicado, quais são as formas de uso e como garantir segurança. A médica Mariana Maciel, que atua na área, explica os principais pontos que costumam aparecer no consultório.
Para quais problemas de saúde pode ser indicada
De acordo com a especialista, o uso se consolidou principalmente em casos de dor crônica, epilepsias refratárias, distúrbios neurológicos e alterações do sono. “A cannabis medicinal pode ser considerada em diferentes contextos clínicos, sempre com base em avaliação criteriosa e individualizada”, afirma.
CBD e THC: o que muda nos efeitos
Uma das dúvidas mais frequentes é sobre o risco de efeito psicoativo. A médica explica que isso depende da composição do produto: formulações com canabidiol (CBD) isolado não costumam causar esse efeito, enquanto medicamentos que incluem tetrahidrocanabinol (THC) podem provocá-lo, a depender da dose e da indicação. Segundo ela, a escolha entre CBD, THC ou a combinação dos dois faz parte da estratégia terapêutica, com foco em benefício clínico e segurança.
Entre possíveis resultados observados estão alívio da dor, melhora do sono e maior controle de sintomas em doenças neurológicas. A possibilidade de ajustar formulação e dose ao longo do acompanhamento tende a tornar a resposta mais alinhada ao objetivo do tratamento.
Formas de uso, início e ajuste de dose
Os produtos podem ser administrados por vias como sublingual, oral, intranasal e tópica, conforme a indicação. “A escolha da via de administração influencia diretamente na resposta terapêutica e faz parte da decisão clínica”, diz Maciel.
O início do tratamento, segundo ela, passa por consulta com profissional habilitado para prescrever cannabis medicinal, definição da melhor abordagem e acompanhamento contínuo. A dose não é padronizada: costuma começar baixa e ser ajustada gradualmente, de acordo com resposta do paciente e tolerabilidade. A proporção entre CBD e THC também interfere no efeito e na quantidade necessária.
Sobre o cenário brasileiro, a médica avalia que mudanças recentes ampliaram as possibilidades de prescrição, incluindo maior flexibilidade para concentrações mais elevadas de THC em situações específicas e de maior gravidade. “O crescimento do uso terapêutico da cannabis está associado à evolução do conhecimento científico e, principalmente, a maior familiaridade da classe médica com o tema”, afirma.