Endocrinologia e Metabologia

Automedicação com dicas da internet pode atrasar diagnóstico e agravar sintomas

Pesquisa aponta que 86% dos brasileiros usam remédios sem prescrição; médico de emergência explica por que isso pode mascarar doenças e quais sinais exigem atendimento imediato.

Por Redação Brazil Health , 18/03/2026

3 min de leitura

Automedicação com dicas da internet pode atrasar diagnóstico e agravar sintomas

Buscar na internet explicações para dor de cabeça, febre, alergias e outros desconfortos virou rotina para muitos brasileiros. O problema é que a leitura apressada de sintomas e a tentativa de tratar o quadro em casa podem atrasar diagnósticos e aumentar o risco de complicações, segundo especialistas.

Um levantamento do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade em parceria com o Datafolha indica que cerca de 86% dos brasileiros admitem usar medicamentos sem prescrição. A pesquisa também aponta que parte dessas decisões é influenciada por orientações encontradas online.

Para o médico Bruno Caldas, coordenador da CER Ilha, unidade de emergência do Hospital Municipal Evandro Freire, no Rio de Janeiro, a internet pode ajudar a difundir informações, mas não substitui a avaliação profissional. “Muitos pacientes chegam à emergência depois de dias tentando tratar sintomas por conta própria porque encontraram algum conteúdo na internet sugerindo um diagnóstico ou medicamento. Em alguns casos, isso pode mascarar doenças mais graves ou retardar intervenções que deveriam ter sido feitas mais cedo”, afirma.

Remédios comuns também trazem riscos

Analgésicos, anti-inflamatórios, antialérgicos e antibióticos estão entre os medicamentos mais usados sem orientação. Embora sejam vistos como opções “seguras”, o uso inadequado pode interferir no quadro clínico e dificultar a identificação de sinais importantes.

Anti-inflamatórios, por exemplo, podem aumentar o risco de sangramentos em alguns contextos e agravar infecções. Já o uso incorreto de antibióticos contribui para a resistência bacteriana, apontada como um problema de saúde pública em todo o mundo.

“As pessoas tendem a subestimar os riscos de remédios considerados comuns. Mas a combinação inadequada de medicamentos ou o uso em doses erradas pode provocar intoxicações, reações adversas ou complicações clínicas”, alerta Caldas.

Quando alergia vira emergência

Reações alérgicas podem evoluir rapidamente e, em alguns casos, levar à anafilaxia, resposta intensa do organismo que exige atendimento imediato. Entre os sinais mais preocupantes estão inchaço nos lábios ou na garganta, dificuldade para respirar, queda de pressão, tontura intensa e urticária generalizada.

“Reações alérgicas graves evoluem em poucos minutos. O tratamento precisa ser rápido e realizado em ambiente adequado, com monitoramento e medicações específicas”, diz o médico.

Sinais de alerta que não devem esperar

Nem todo sintoma exige pronto-socorro, mas alguns sinais indicam que adiar a avaliação pode trazer riscos. Entre eles estão dor no peito, falta de ar, confusão mental, desmaios, febre persistente, vômitos repetidos e dores intensas que não melhoram com medidas simples.

“A emergência existe justamente para atender quadros que representam risco imediato ou potencial à saúde. Reconhecer esses sinais é fundamental para evitar complicações”, afirma Caldas.

O médico recomenda usar a internet apenas como apoio para esclarecer dúvidas e buscar fontes confiáveis, sem transformar conteúdos em diagnóstico. “A internet pode ajudar, mas ela não substitui a avaliação médica. Cada paciente tem um histórico clínico e condições próprias que precisam ser consideradas antes de qualquer tratamento”, diz.

Em caso de sintomas persistentes, piora do quadro ou dúvida entre esperar e procurar atendimento, a orientação é buscar ajuda profissional. “Na medicina, muitas vezes o fator tempo faz diferença no resultado do tratamento”, conclui.