Endocrinologia e Metabologia

7 em cada 10 brasileiros não fazem checkup e perdem a chance de detectar doenças cedo

Exames de rotina ajudam a detectar hipertensão, diabetes, colesterol alto e alguns cânceres antes de virarem emergência. Entenda quando começar e o que costuma entrar na avaliação.

Por Redação Brazil Health , 12/07/2026

4 min de leitura

7 em cada 10 brasileiros não fazem checkup e perdem a chance de detectar doenças cedo

Mesmo com o avanço da medicina preventiva, a maioria dos brasileiros ainda deixa a saúde para depois. Dados do IBGE indicam que 70,6% da população não realiza exames preventivos de forma regular, um hábito que pode custar caro quando problemas que evoluem em silêncio só são descobertos tardiamente.

Doenças como hipertensão, diabetes e colesterol alto frequentemente não dão sinais no início. O mesmo vale para vários tipos de câncer. Quando os sintomas aparecem, a condição pode estar mais avançada, o que tende a tornar o tratamento mais complexo, mais caro e com maiores riscos.

Para o clínico geral Alfredo Salim Helito, a lógica do checkup é justamente interromper esse ciclo. “Sentir-se saudável não significa estar saudável — significa apenas que o corpo ainda não sinalizou o problema externamente”, afirma o médico.

Diagnóstico precoce muda as chances de tratamento

Os números ajudam a dimensionar o impacto da prevenção. Cânceres de mama e colorretal, quando identificados no início, podem ter mais de 90% de chance de cura. Já o risco de infarto e AVC, principais causas de morte no país, pode cair em até 80% com acompanhamento e controle regular de fatores como pressão alta, glicemia e colesterol.

Outro dado que chama atenção vem do Datasus: em 2024, mais de 330 mil mortes prematuras de brasileiros entre 30 e 69 anos poderiam ter sido evitadas. A mensagem por trás das estatísticas é direta: descobrir cedo muda o desfecho.

Apesar disso, o rastreamento ainda falha. No Brasil, quase 4 em cada 10 casos de câncer de mama seguem sendo diagnosticados em estágio avançado — cenário associado mais à falta de exames de rotina do que à ausência de tratamento.

Quando começar a fazer checkup e com que frequência

Não existe uma “idade mínima” única para se preocupar com a saúde, mas há recomendações por faixa etária. Em geral, adultos saudáveis entre 18 e 40 anos devem fazer pelo menos um checkup anual com exames básicos, que costumam incluir:

  • Hemograma completo
  • Glicemia
  • Colesterol e triglicerídeos
  • Avaliação de função dos rins e do fígado

A partir dos 35 anos, o foco cardiovascular ganha peso, com monitoramento mais cuidadoso de pressão arterial e colesterol. Depois dos 40, o eletrocardiograma costuma entrar na rotina e, para quem pratica ou pretende iniciar atividade física intensa, o teste ergométrico pode ser indicado.

O rastreamento também muda conforme sexo e riscos individuais. Para homens, a avaliação da próstata pode começar aos 45 anos em casos de risco aumentado e aos 50 anos para os demais. Para mulheres, o Papanicolau faz parte do acompanhamento a partir dos 25 anos, e a mamografia entra no protocolo a partir dos 40.

Após os 50 anos, a lista geralmente se amplia, com exames voltados a condições mais prevalentes nessa fase, como a colonoscopia para rastrear câncer de intestino, a densitometria óssea para avaliar risco de osteoporose e avaliações cardiovasculares mais completas.

Checkup básico ou completo: qual faz sentido

Na prática, há diferença entre um checkup básico e um mais completo. O primeiro costuma se concentrar nos exames de sangue essenciais e pode ser suficiente para adultos jovens sem fatores de risco ou histórico familiar relevante. Já a versão mais completa tende a ser indicada a partir dos 40 anos ou para quem tem maior risco, reunindo exames de imagem, avaliação cardiológica mais detalhada e rastreamentos específicos para alguns tipos de câncer.

O ponto de partida, porém, não é uma “lista pronta”. A recomendação é começar por uma consulta com clínico geral, que avalia histórico pessoal e familiar e define o que realmente é necessário. “Checkup não é uma lista fixa de exames — é uma avaliação personalizada”, destaca Alfredo Salim Helito.

Por que tanta gente adia a prevenção

Falta de tempo, medo de receber um diagnóstico grave e a sensação de que “está tudo bem” estão entre os motivos mais comuns para fugir dos exames. O problema é que, em muitos casos, a ausência de sintomas apenas indica que o corpo ainda não “avisou” — não que a doença não exista.

Para o especialista, a prevenção não deve ser vista como exagero. “Cuidar da saúde de forma preventiva não é pessimismo. É a decisão mais racional que existe”, alerta o médico.