Cirurgia Vascular

Lipedema: dor nas pernas e roxos frequentes podem indicar a doença

Condição crônica afeta principalmente mulheres, é confundida com obesidade e pode limitar a mobilidade; especialista explica sinais e cuidados para evitar a progressão.

Por Redação Brazil Health , 13/06/2026

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Lipedema: dor nas pernas e roxos frequentes podem indicar a doença

Junho é o mês de conscientização sobre o lipedema, uma doença crônica e progressiva marcada pelo acúmulo desproporcional de gordura, principalmente em pernas e quadris e, em alguns casos, também nos braços. Por ser pouco reconhecida, a condição segue subdiagnosticada e muitas mulheres passam anos buscando respostas para sintomas que vão além da estética.

“Em geral, são vários anos de avaliações médicas sem um diagnóstico correto. Não é infrequente as pacientes relatarem mais de dez anos de consultas”, afirma o cirurgião vascular Mauro Figueiredo Carvalho de Andrade, integrante da Comissão de Doenças Linfáticas da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP).

Além da desproporção corporal, o lipedema pode causar dor ao toque, sensação constante de peso nas pernas e hematomas recorrentes, muitas vezes após pequenos traumas. “A dor ao toque costuma ser desproporcionalmente desagradável e decorre de um processo inflamatório nos tecidos. Já a sensação de peso é quase universal”, explica o médico.

Em estágios mais avançados, a limitação física pode prejudicar a caminhada e atividades do dia a dia, favorecendo perda de massa muscular, dores articulares e sobrecarga nos joelhos. O quadro pode ser confundido com obesidade, retenção de líquido ou falta de disciplina com dieta e exercícios, o que atrasa o cuidado adequado.

Hormônios e histórico familiar

De acordo com o especialista, fatores hormonais e genéticos têm papel importante. Os sintomas podem surgir ou piorar em fases como puberdade, gravidez e menopausa. “Já foi identificada uma alteração na relação entre receptores específicos do estrógeno em pacientes com lipedema”, diz Andrade.

Embora ainda não exista um gene único identificado, cerca de dois terços das pacientes relatam histórico semelhante em outras mulheres da família. O médico também destaca que o padrão de distribuição de gordura difere do observado na obesidade mais comum, que costuma se concentrar mais no abdômen. Ainda assim, o excesso de peso pode agravar o quadro.

Tratamento exige cuidados contínuos

O controle do peso é apontado como um dos pilares para reduzir inflamação e melhorar a qualidade de vida, além de facilitar a prática de atividade física. Caminhadas, fortalecimento muscular e exercícios na água costumam ser recomendados para ajudar no alívio dos sintomas e retardar a evolução.

A alimentação também pode contribuir, embora não exista uma dieta considerada padrão-ouro. Estratégias com foco anti-inflamatório associadas à redução calórica vêm sendo estudadas como parte do manejo.

Sobre cirurgia, Andrade afirma que ela pode fazer parte do tratamento, mas não deve ser vista como solução isolada. “A cirurgia faz parte da conduta e deve ser indicada em casos selecionados. Ela não substitui os outros cuidados, que precisam continuar por longo período”, ressalta.

Impacto emocional e quando buscar ajuda

O lipedema também pode afetar a saúde mental, com aumento de ansiedade, baixa autoestima, isolamento social e depressão. “O culto ao corpo perfeito nas mídias sociais faz com que muitas pacientes se sintam fora dos padrões vigentes. Isso frequentemente leva ao isolamento social e à vergonha de mostrar o próprio corpo”, avalia o médico.

Para o especialista, informação e diagnóstico precoce são decisivos para evitar a progressão. “O diagnóstico precoce é fundamental para impedir a progressão da doença e preservar a qualidade de vida”, afirma. Mulheres com dor nas pernas, sensação de peso, roxos frequentes e desproporção corporal devem procurar avaliação especializada.