Nova regra em SP limita cirurgias plásticas a 6 horas e reforça exigências de segurança
Resolução do Cremesp desestimula procedimentos longos no mesmo ato e cobra planejamento, estrutura hospitalar e registro de exceções; cirurgião diz que tempo é só um dos fatores de risco.
Por Redação Brazil Health , 28/06/2026
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O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) publicou uma resolução com novas diretrizes éticas e assistenciais para cirurgias plásticas eletivas consideradas extensas, múltiplas ou combinadas. A norma proíbe o agendamento de procedimentos com previsão de duração igual ou superior a seis horas em um único ato cirúrgico, salvo situações excepcionais, que devem ser justificadas e registradas em prontuário.
A medida busca reduzir riscos associados a cirurgias longas e complexas, em que costumam aumentar as chances de complicações relacionadas à anestesia, à resposta inflamatória e a eventos tromboembólicos. A resolução também reforça que a avaliação deve levar em conta as condições clínicas individuais do paciente e o planejamento do procedimento.
Para o cirurgião plástico Fernando Amato, a discussão não pode ficar restrita ao relógio. “A cirurgia plástica deve ser planejada com base em critérios técnicos e científicos. Quanto maior o tempo cirúrgico, maior tende a ser o risco de complicações, porém existem outros aspectos para garantir essa segurança, além do tempo de cirurgia”, afirma.
O que muda na prática
Pela resolução, o planejamento cirúrgico deve considerar, além do tempo estimado de operação, o tempo anestésico, o número de procedimentos realizados na mesma intervenção, o porte da cirurgia e o uso simultâneo de tecnologias como radiofrequência, plasma, laser e ultrassom.
O texto também recomenda que, sempre que possível, cirurgias mais extensas sejam divididas em etapas, como forma de reduzir a sobrecarga do organismo e o risco de intercorrências no intra e pós-operatório.
Exigência de estrutura e equipe
A norma determina ainda que os serviços de saúde ofereçam estrutura compatível com a complexidade do procedimento, com equipe multiprofissional capacitada, protocolos de segurança e suporte intensivo quando necessário. Na prática, a resolução reforça a responsabilidade do médico e do estabelecimento na escolha do local e na preparação do paciente.
Amato ressalta que a segurança depende de um conjunto de medidas. “A segurança do paciente não depende apenas do tempo de cirurgia, mas de todo o planejamento. Uma equipe experiente, integrada e bem sincronizada consegue trabalhar de forma mais eficiente, reduzindo o tempo operatório sem abrir mão da qualidade”, diz.
Para quem a regra é mais relevante
A mudança tende a impactar principalmente pessoas que planejam combinar vários procedimentos estéticos em um único dia, prática comum para reduzir tempo total de recuperação. Especialistas recomendam que o paciente esclareça, antes de decidir, a estimativa de duração, o plano de etapas, os riscos e a estrutura disponível para atendimento de possíveis complicações.
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