Pediatria

Antes e depois nas redes: como avaliar se fotos de procedimentos são confiáveis

Resolução do CFM passou a permitir a divulgação de imagens por médicos, mas especialistas alertam que fotos podem omitir recuperação, riscos e diferenças individuais entre pacientes.

Por Redação Brazil Health , 19/06/2026

3 min de leitura

Antes e depois nas redes: como avaliar se fotos de procedimentos são confiáveis

Fotos de “antes e depois” viraram um atalho para quem procura cirurgias plásticas e tratamentos dermatológicos nas redes sociais. Com poucos minutos de navegação, é comum encontrar transformações que parecem decisivas para escolher um profissional. O problema é que a imagem, sozinha, raramente explica o que aconteceu no processo, quais foram as limitações e se o resultado tem relação com o caso de quem está pesquisando.

Em 2024, o Conselho Federal de Medicina (CFM) passou a permitir que médicos divulguem esse tipo de conteúdo na publicidade, desde que sigam regras como consentimento do paciente, caráter educativo e proibição de manipulações e de promessas de resultado. A mudança ampliou o acesso a informações, mas também aumentou a responsabilidade de quem consome esse material.

Segundo especialistas, uma fotografia não costuma mostrar elementos essenciais para a decisão do paciente, como tempo de recuperação, possíveis complicações, necessidade de revisões, durabilidade do efeito e variações de resposta de pessoa para pessoa.

“Muitas pessoas acreditam que uma foto é suficiente para avaliar a qualidade de um procedimento, quando na verdade ela representa apenas um recorte daquela experiência. A medicina não trabalha com garantias ou resultados padronizados. Cada organismo responde de uma forma diferente”, afirma o cirurgião plástico Ricardo Votto, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

O que pode distorcer a percepção do resultado

Mesmo sem edição por aplicativos, fatores de produção podem mudar a leitura do público. A SBCP já chamou atenção para elementos como iluminação, maquiagem, enquadramento, ângulo da câmera e postura corporal, que podem realçar ou minimizar características e criar a impressão de um efeito maior do que o observado no dia a dia.

Na prática, publicações com maior valor informativo tendem a ser as que apresentam fotos em condições semelhantes de iluminação e posição, mostram etapas diferentes do pós-procedimento e explicam, de forma educativa, o que foi feito e quais cuidados são necessários.

Como checar médico e especialidade antes de decidir

Especialistas recomendam que o paciente vá além do feed e confirme se o profissional tem registro ativo no Conselho Regional de Medicina (CRM) e Registro de Qualificação de Especialista (RQE) compatível com a área em que atua. O histórico de atuação e a experiência em casos semelhantes também ajudam a contextualizar o que aparece nas imagens.

Votto reforça que comparar resultados entre pessoas diferentes pode levar a frustrações. “O erro mais comum é acreditar que duas pessoas terão exatamente o mesmo resultado. Idade, genética, qualidade da pele, hábitos de vida e até o processo de cicatrização influenciam diretamente na evolução de cada tratamento”, diz.

Uso responsável das imagens e expectativas realistas

Pelas regras do CFM, conteúdos de antes e depois não devem induzir promessas de sucesso nem estimular expectativas irreais. Para especialistas, as fotos podem ser um ponto de partida para a conversa, mas não substituem avaliação médica, entendimento de riscos e discussão sobre limites do procedimento em cada caso.

A orientação é tratar o “antes e depois” como parte da pesquisa, e não como critério único de escolha. Por trás de uma imagem, há variáveis clínicas que não cabem em um post de poucos segundos.