Tabagismo pode estar relacionado a mais de 63 mil mortes por câncer no Brasil em 2025

Levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica estima impacto do cigarro em 12 tipos de tumor e reforça preocupação com cigarros eletrônicos e novos dispositivos de nicotina.

Por Redação Brazil Health , 13/05/2026

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Tabagismo pode estar relacionado a mais de 63 mil mortes por câncer no Brasil em 2025

O tabagismo continua sendo um dos principais fatores evitáveis relacionados ao câncer no Brasil. Um levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica estima que 63.268 mortes registradas no país em 2025 possam estar associadas ao consumo de derivados do tabaco.

A projeção considera 12 tipos de câncer relacionados ao cigarro e foi elaborada a partir de dados da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, estimativas de incidência do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para 2026 e estudos epidemiológicos que calculam a fração de óbitos atribuível ao tabagismo.

No total, os tumores analisados somaram 132.802 mortes em 2025. Entre eles estão câncer de pulmão, cavidade oral, laringe, esôfago, bexiga, pâncreas, fígado, estômago, rim, colorretal, colo do útero e leucemia mieloide aguda.

Câncer de pulmão concentra maior impacto

Os dados mostram que o peso do tabagismo é especialmente expressivo nos tumores do trato respiratório e digestivo superior.

No câncer de pulmão, por exemplo, a entidade estima que cerca de 90% das mortes tenham relação com o cigarro. Das 31.637 mortes registradas em 2025, aproximadamente 28.473 poderiam estar associadas ao tabagismo.

As estimativas também apontam forte relação do cigarro com os cânceres de laringe e esôfago, com percentuais atribuíveis de 96% e 90%, respectivamente.

Mesmo em tumores em que a participação do tabaco aparece de forma menos intensa, o impacto continua relevante devido ao elevado número absoluto de casos. É o caso dos cânceres colorretal, de estômago, fígado, pâncreas e colo do útero.

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, o cirurgião oncológico Paulo Henrique de Sousa Fernandes, o cigarro frequentemente atua em conjunto com outros fatores de risco importantes.

“Mesmo quando não é a causa principal, o tabagismo contribui de forma significativa para o desenvolvimento e agravamento do câncer, especialmente associado ao consumo de álcool, sedentarismo e alimentação inadequada”, afirma.

Redução no número de fumantes não elimina efeitos acumulados

Apesar da queda expressiva no número de fumantes nas últimas décadas, os efeitos do tabaco continuam aparecendo nos indicadores de câncer.

Um estudo publicado em 2025 na Revista Brasileira de Cancerologia, do INCA, mostra que a prevalência de fumantes caiu de 34,8% em 1989 para cerca de 9,3% em 2023. Ainda assim, pesquisadores alertam que muitos tumores relacionados ao cigarro levam anos ou até décadas para se desenvolver.

O levantamento também aponta mudanças no perfil epidemiológico do câncer de pulmão no Brasil, com redução dos casos entre homens e aumento entre mulheres, refletindo diferenças históricas no padrão de consumo de cigarro.

Cigarros eletrônicos preocupam especialistas

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica também chama atenção para o avanço dos cigarros eletrônicos e dispositivos saborizados, especialmente entre adolescentes e adultos jovens.

Embora frequentemente divulgados como alternativas “menos nocivas”, especialistas alertam que esses produtos podem conter concentrações elevadas de nicotina e expor usuários a substâncias tóxicas capazes de provocar danos respiratórios, cardiovasculares e aumentar o risco de dependência química.

“No caso dos cigarros eletrônicos, existe uma falsa sensação de segurança. Nenhum produto derivado do tabaco é isento de risco”, alerta Fernandes.

No Brasil, a comercialização desses dispositivos permanece proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), decisão mantida em abril de 2025.

Parar de fumar reduz riscos ao longo do tempo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça que abandonar o cigarro traz benefícios em diferentes etapas do organismo.

Cerca de 20 minutos após parar de fumar, a frequência cardíaca e a pressão arterial começam a diminuir. Em 12 horas, os níveis de monóxido de carbono no sangue retornam a padrões considerados normais.

Ao longo dos anos, os benefícios se tornam ainda mais expressivos. Dez anos após interromper o tabagismo, o risco de morte por câncer de pulmão pode cair significativamente em comparação ao de fumantes ativos, além da redução do risco de diversos outros tumores relacionados ao cigarro.