Câncer de cabeça e pescoço: sinais que não devem ser ignorados por mais de 2 semanas
No Julho Verde, entidade médica alerta para diagnóstico tardio e reforça sintomas de atenção, fatores de risco como tabaco, álcool e HPV e a importância da vacinação e do cuidado multidisciplinar.
Por Redação Brazil Health , 29/06/2026
4 min de leitura
Um grupo de tumores que pode atingir boca, garganta, laringe, nariz e glândulas da região da cabeça e do pescoço deve somar mais de 40 mil novos casos por ano no Brasil. Apesar de avanços em cirurgia, radioterapia e medicamentos, a maioria dos pacientes ainda descobre a doença tardiamente, o que reduz as chances de cura e aumenta o risco de sequelas em funções como fala e deglutição.
O alerta foi reunido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) durante o Julho Verde, campanha nacional de conscientização. “O grande desafio dos cânceres de cabeça e pescoço é que muitos sintomas iniciais podem parecer problemas simples e acabam sendo negligenciados. Quando o paciente chega ao especialista, frequentemente a doença já está em estágio avançado”, afirma Paulo Henrique Fernandes, presidente da SBCO.
Por que o diagnóstico demora
Os sinais iniciais podem se confundir com problemas comuns, como aftas, inflamações na garganta, rouquidão, sinusites e infecções respiratórias. Um levantamento nacional citado pela entidade, com mais de 145 mil pacientes atendidos em hospitais, aponta que cerca de 78% dos casos são identificados quando o tumor já atingiu estruturas vizinhas ou linfonodos do pescoço.
Nessa fase, o tratamento tende a ser mais complexo e, com mais frequência, combina diferentes abordagens. “Feridas persistentes na boca, rouquidão prolongada ou caroços no pescoço merecem investigação. Quanto mais cedo identificamos a doença, maiores tendem a ser as chances de cura”, diz Fernandes.
Sintomas que pedem avaliação médica
A recomendação geral é procurar um profissional de saúde se alterações na região persistirem por mais de duas semanas. Entre os principais sinais de alerta, estão:
- feridas na boca que não cicatrizam;
- manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na boca;
- rouquidão persistente;
- dificuldade ou dor para engolir;
- sensação de “algo preso” na garganta;
- caroços no pescoço.
No câncer de laringe, a alteração de voz costuma aparecer cedo quando as cordas vocais são acometidas. “A rouquidão que dura mais de duas semanas merece investigação, especialmente em pessoas com histórico de tabagismo”, afirma Fernandes.
Tabaco, álcool e HPV: o que aumenta o risco
Tabagismo e consumo de álcool seguem entre os principais fatores associados a esses tumores. Segundo a SBCO, o risco é maior quando as duas exposições ocorrem juntas, por efeito sinérgico. “O risco não depende apenas da quantidade consumida, mas também do tempo de exposição. Além disso, quando tabaco e álcool estão associados, observamos um aumento importante do potencial carcinogênico”, diz Fernandes.
Nos últimos anos, também cresceu a participação do papilomavírus humano (HPV) em parte dos cânceres de orofaringe, região que inclui amígdalas e base da língua. A transmissão ocorre principalmente por contato sexual, inclusive sexo oral, e esses casos podem surgir em pessoas mais jovens e sem histórico de tabagismo.
A vacinação é uma das principais estratégias de prevenção: no SUS, a vacina contra HPV é oferecida em dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de grupos com indicações específicas. “Ampliar a cobertura vacinal é uma medida importante para reduzir a ocorrência desses tumores nas próximas décadas”, afirma Fernandes.
Além do controle do câncer, a entidade destaca que o cuidado frequentemente exige equipe multiprofissional para reduzir impactos do tratamento e recuperar funções como mastigar, engolir e falar. “O sucesso do tratamento não é medido apenas pela eliminação do câncer. Também precisamos preservar a funcionalidade, autonomia, autoestima e a qualidade de vida dos pacientes”, conclui o presidente da SBCO.
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