Clínica Médica

Menopausa: 5 suplementos que exigem cuidado para não virar risco à saúde

Vitamina D, melatonina, ferro, fitoestrogênios e magnésio podem ajudar, mas o uso sem exames e orientação pode causar efeitos indesejados e até complicações.

Por Redação Brazil Health , 03/07/2026

4 min de leitura

Menopausa: 5 suplementos que exigem cuidado para não virar risco à saúde

O uso de suplementos costuma ganhar força na menopausa, fase marcada por mudanças hormonais que podem afetar sono, humor, ossos e metabolismo. Mas a ideia de que “se é natural, não faz mal” não se sustenta na prática: em alguns casos, doses inadequadas e escolhas sem critério podem trazer mais problemas do que benefícios.

A cirurgiã geral Tatiana Tais Teixeira Gelezolo alerta que, nesse período, o organismo pode reagir de forma diferente a substâncias comuns do dia a dia, incluindo vitaminas, minerais e compostos vendidos como “alternativas naturais”. “Suplementar de forma aleatória, sem indicação e sem dosagem correta, pode fazer mais mal do que bem”, afirma.

Embora a suplementação possa ser útil para aliviar sintomas como fogachos e melhorar o bem-estar, especialistas reforçam que o ponto de partida deve ser a avaliação individual, com histórico de saúde, sintomas e, quando necessário, exames laboratoriais.

Vitamina D, melatonina e ferro: quando o excesso pesa

1. Vitamina D Essencial para a saúde óssea e a imunidade, a vitamina D pode se tornar um problema quando tomada em doses elevadas sem acompanhamento. Por ser lipossolúvel, tende a se acumular no organismo. Esse excesso pode levar à hipercalcemia (cálcio alto no sangue), com sintomas como náuseas, fraqueza, pedras nos rins e até alterações cardíacas.

A orientação mais segura, segundo a médica, é simples: primeiro medir, depois suplementar. “Muitas mulheres tomam doses muito altas sem saber o nível que já têm no sangue”, destaca Tatiana Tais Teixeira Gelezolo.

2. Melatonina A queda do estrogênio pode interferir na produção de melatonina, o que ajuda a explicar por que a insônia e os despertares noturnos são tão frequentes nessa fase. Ainda assim, aumentar a dose por conta própria não garante melhora. Doses mais altas podem causar sonolência durante o dia, pesadelos e, em alguns casos, piorar o padrão do sono com o tempo. Também pode haver interação com medicamentos para pressão e antidepressivos.

“Mais não é sempre melhor”, resume a especialista.

3. Ferro O ferro costuma ser associado à prevenção de anemia, principalmente em mulheres com sangramentos intensos antes da menopausa. Depois que o ciclo menstrual cessa, porém, a necessidade do mineral tende a cair. Manter a suplementação sem indicação pode favorecer a sobrecarga de ferro, relacionada a inflamação, maior risco cardiovascular e maior exigência do fígado.

Nesses casos, a recomendação é evitar suplementar sem confirmação de anemia em exames.

Fitoestrogênios e magnésio: benefícios dependem do perfil e da forma

4. Fitoestrogênios (soja e isoflavonas) As isoflavonas de soja são conhecidas por terem ação semelhante ao estrogênio e podem aliviar fogachos em algumas mulheres. Mas justamente por imitarem esse hormônio, exigem cautela. Em mulheres com histórico de câncer hormônio-dependente (como mama, ovário e endométrio) ou com miomas, o uso indiscriminado pode não ser apropriado.

Para a médica, o rótulo de “natural” não deve ser interpretado como sinônimo de inofensivo. “O fato de ser natural não elimina o risco”, alerta Tatiana Tais Teixeira Gelezolo.

5. Magnésio O magnésio é frequentemente usado como aliado para sono, ansiedade e saúde óssea, além de poder contribuir com a resistência à insulina. O problema pode estar no tipo escolhido e na dose: algumas formas têm baixa absorção, e quantidades elevadas podem causar diarreia e desconforto intestinal. Em pessoas com doença renal, o excesso pode ser mais sério.

O que considerar antes de suplementar

A menopausa pode se beneficiar de um suporte nutricional bem indicado, especialmente quando o objetivo é reduzir inflamação, proteger ossos e coração e aliviar sintomas do dia a dia. Mas a decisão deve ser guiada por avaliação profissional, e não por recomendações de redes sociais ou grupos de mensagens.

“Exames, histórico clínico e sintomas individuais devem guiar as escolhas — não modismos”, afirma Tatiana Tais Teixeira Gelezolo.

  • Evite iniciar suplementos por conta própria, principalmente em doses altas.
  • Considere exames quando houver indicação, como no caso de vitamina D e ferro.
  • Informe medicamentos em uso, já que podem existir interações, como com a melatonina.
  • Discuta histórico de doenças, especialmente ao considerar fitoestrogênios.