Clínica Médica

Cicatriz que cresce demais? Entenda o que é queloide e os tratamentos

Lesão de cicatriz pode causar dor, coceira e afetar autoestima. Especialista explica por que surge, quem tem mais risco e quais terapias ajudam a reduzir a chance de o problema voltar.

Por Redação Brazil Health , 18/11/2025

3 min de leitura

Cicatriz que cresce demais? Entenda o que é queloide e os tratamentos

Cicatriz que avança além do corte original tem nome: queloide. O quadro, que pode provocar coceira, dor e sensação de pele “repuxando”, não é apenas estético. “Queloide é uma lesão elevada, espessa e endurecida que ultrapassa os limites da ferida original”, explica o cirurgião geral Patrizio Morisson.

Quem tem mais risco e por quê

O queloide surge quando a cicatrização “exagera” na produção de colágeno. “A predisposição genética é um fator importante”, diz Morisson. Segundo ele, pessoas com pele mais escura — como afrodescendentes, asiáticos e hispânicos — e indivíduos com fototipos mais altos têm maior probabilidade de desenvolver a lesão, especialmente entre os 10 e 30 anos.

Áreas sujeitas a tensão e atrito, como tórax, ombros, dorso, braços, mandíbula e lóbulos das orelhas, concentram os casos. Cirurgias, queimaduras, acne inflamada, piercings e tatuagens costumam ser os gatilhos.

Sinais que pesam no dia a dia

Além do incômodo visual, o queloide pode alterar rotinas. Estudos citados pelo especialista indicam que até 80% dos pacientes relatam prurido, dor ou hipersensibilidade. Em lesões maiores, há relatos de limitação de movimentos e dificuldade para usar acessórios. O impacto emocional é frequente, com ansiedade, isolamento e queda da autoconfiança.

Tratamentos: combinação é a chave

“O manejo do queloide é desafiador e, geralmente, requer a combinação de técnicas para alcançar resultados duradouros”, afirma Morisson. Entre as opções mais usadas estão:

  • Infiltrações intralesionais com corticoides para reduzir inflamação e volume
  • Cirurgia para lesões extensas, quase sempre associada a outras terapias
  • Radioterapia superficial após a ressecção, em casos selecionados
  • Crioterapia, útil em lesões pequenas ou iniciais
  • Laser fracionado, luz intensa pulsada ou radiofrequência para nivelar a cicatriz
  • Fitas ou placas de silicone, indicadas no tratamento e na prevenção

Os números reforçam a estratégia de combinar métodos. “Dados publicados em revistas médicas apontam que a taxa de recorrência pode ultrapassar 50% quando o queloide é tratado apenas com cirurgia”, diz o médico. Segundo ele, a associação com corticoides pode reduzir esse índice para cerca de 20%, e, com radioterapia, para menos de 10% em alguns estudos.

Prevenção e quando procurar ajuda

Quem já teve queloide deve discutir riscos antes de procedimentos que cortem ou perfurem a pele. Medidas simples ajudam: uso preventivo de placas de silicone, massagens leves na cicatriz, pomadas específicas, evitar traumas repetidos, hidratar a pele e proteger do sol durante a cicatrização.

O alerta é para agir cedo. “Consultar um cirurgião geral ou dermatologista assim que perceber crescimento anormal da cicatriz é fundamental para adotar medidas precoces e minimizar o risco de progressão”, orienta Morisson.