Psicologia

Ressaca e dor de barriga: o que realmente funciona no pós-Carnaval

Especialista explica como reduzir o mal-estar digestivo após a folia e quando buscar ajuda

Por Redação Brazil Health , 11/02/2026

4 min de leitura

Ressaca e dor de barriga: o que realmente funciona no pós-Carnaval

Dor de cabeça não é o único efeito da ressaca. Após horas de blocos, calor e poucas horas de sono, náusea, diarreia, dor abdominal, estufamento e queimação também entram na lista. Segundo o cirurgião do aparelho digestivo Rodrigo Barbosa, o desconforto gastrointestinal é frequente após o consumo de álcool e, em alguns casos, pode indicar irritação importante do estômago e do intestino ou infecção alimentar. “Não é só o cérebro que sofre com o excesso de álcool. O estômago produz mais ácido, o intestino pode acelerar e a mucosa digestiva fica irritada”, afirma.

O que ajuda de verdade

Hidratação ao longo da festa diminui a desidratação – um dos motores da dor de cabeça, tontura e fraqueza. Intercalar doses de bebida alcoólica com água é uma estratégia útil para atenuar o impacto geral do dia seguinte. “É uma das atitudes mais eficazes para diminuir o impacto da ressaca, mas não impede a irritação do estômago nem os efeitos tóxicos do álcool”, diz Barbosa.

Comer antes de beber também ajuda, pois retarda a absorção do álcool e reduz a agressão imediata ao estômago. O ideal é uma refeição balanceada, com carboidratos, proteína e pouca gordura. “Muita gente exagera na fritura achando que está ‘forrando o estômago’. Comida muito gordurosa pode piorar náusea, refluxo e estufamento depois”, alerta o médico.

Outro fator pouco lembrado é o sono. Noites mal dormidas aumentam processos inflamatórios no corpo e agravam a sensação de azia e má digestão. “Privação de sono associada ao álcool favorece azia, má digestão e desconforto abdominal”, acrescenta.

O que não funciona – e pode fazer mal

Tomar remédio “preventivo” antes de beber não evita ressaca e, em algumas combinações, traz riscos adicionais. Veja o que especialistas desaconselham:

  • Antiácidos: aliviam azia, mas não evitam os efeitos do álcool no fígado nem a ressaca.
  • Protetores gástricos (como omeprazol): não são escudo contra bebida e não devem ser usados sem orientação médica.
  • Analgésicos antes de beber: podem sobrecarregar o fígado quando combinados com álcool.
  • Anti-inflamatórios: aumentam o risco de gastrite, úlcera e até sangramento.

“Não existe comprimido que anule os efeitos do álcool. Misturar bebida com certos remédios, principalmente analgésicos e anti-inflamatórios, pode ser mais perigoso do que a própria ressaca”, reforça Barbosa.

Outra crença comum – comer algo pesado no fim da festa – também não se sustenta. Fast food de madrugada pode dar alívio momentâneo, mas tende a piorar náusea, refluxo e dor abdominal, já que a gordura retarda a digestão em um estômago já irritado.

Diarreia é sempre normal?

O álcool pode acelerar o trânsito intestinal, levando a fezes amolecidas ou diarreia leve no dia seguinte. O quadro costuma melhorar em um a dois dias com hidratação, alimentação leve e descanso. “Se a diarreia for intensa, vier com sangue, febre ou durar mais de dois dias, é sinal de alerta. Pode ser infecção e não apenas efeito da bebida”, orienta o especialista.

Sinais de alerta: quando procurar atendimento

É recomendável buscar avaliação médica se houver:

  • Dor abdominal forte e localizada
  • Vômitos persistentes ou com sangue
  • Diarreia intensa ou com sangue
  • Febre
  • Sinais de desidratação (boca muito seca, tontura ao levantar, pouca urina)

Segundo Barbosa, o mal-estar pós-Carnaval costuma resultar da combinação de álcool, pouca água, comida pesada, calor e sono irregular – não de um fator isolado. “Pequenos cuidados já fazem grande diferença”, conclui.