Doenças Modernas

Câncer de boca e garganta: sinais de alerta e como reduzir o risco

Sociedade médica lembra que feridas na boca, rouquidão e caroços no pescoço por mais de duas semanas devem ser investigados. No Brasil, esses tumores somam mais de 40 mil novos casos ao ano e ainda são diagnosticados, em geral, tardiamente.

Por Redação Brazil Health , 23/06/2026

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Câncer de boca e garganta: sinais de alerta e como reduzir o risco

Os chamados cânceres de cabeça e pescoço reúnem tumores que podem atingir boca, garganta e laringe, entre outras áreas, e respondem por mais de 40 mil novos casos por ano no país. Apesar de avanços em cirurgia, radioterapia e medicamentos, especialistas alertam que a maioria dos pacientes ainda descobre a doença em fases avançadas, o que reduz as chances de cura e aumenta o risco de sequelas.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), parte do problema está no fato de que os sintomas iniciais podem parecer comuns, como inflamações na garganta, “aftas” e rouquidão. “O grande desafio dos cânceres de cabeça e pescoço é que muitos sintomas iniciais podem parecer problemas simples e acabam sendo negligenciados”, afirma Paulo Henrique Fernandes, presidente da entidade.

Por que o diagnóstico costuma atrasar

Um levantamento nacional citado pela SBCO, com mais de 145 mil pacientes atendidos em hospitais, indica que cerca de 78% dos casos são identificados quando o tumor já avançou localmente ou atingiu linfonodos do pescoço. Nessa situação, o tratamento tende a ser mais complexo e, muitas vezes, combina cirurgia, radioterapia e terapias medicamentosas.

O impacto não é apenas oncológico. Dependendo da localização, a doença e o tratamento podem comprometer fala, mastigação, deglutição e respiração. “Feridas persistentes na boca, rouquidão prolongada ou caroços no pescoço merecem investigação”, diz Fernandes.

Sintomas que não devem ser ignorados

Os especialistas recomendam procurar avaliação de um profissional de saúde quando alterações na região de cabeça e pescoço persistirem por mais de duas semanas. Entre os sinais de alerta mais frequentes estão:

  • feridas na boca que não cicatrizam;
  • manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na boca;
  • rouquidão persistente;
  • dificuldade ou dor para engolir;
  • sensação de algo preso na garganta;
  • caroços no pescoço.

No câncer de laringe, a mudança na voz costuma aparecer cedo, especialmente quando o tumor atinge as cordas vocais. “A rouquidão que dura mais de duas semanas merece investigação, especialmente em pessoas com histórico de tabagismo”, afirma Fernandes.

Fatores de risco: tabaco, álcool e HPV

Tabagismo e consumo de álcool seguem entre os principais fatores associados a esses tumores, com efeito combinado que aumenta o risco. “O risco não depende apenas da quantidade consumida, mas também do tempo de exposição. Além disso, quando tabaco e álcool estão associados, observamos um aumento importante do potencial carcinogênico”, diz o presidente da SBCO.

A entidade também chama atenção para o crescimento de casos ligados ao papilomavírus humano (HPV), especialmente em tumores da orofaringe, região que inclui amígdalas e base da língua. Esses cânceres podem aparecer em pessoas mais jovens e sem histórico de tabagismo.

Como estratégia de prevenção, a vacina contra o HPV é oferecida gratuitamente no SUS, em dose única, para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de grupos específicos. “Ampliar a cobertura vacinal é uma medida importante para reduzir a ocorrência desses tumores nas próximas décadas”, afirma Fernandes.

Por fim, a SBCO destaca que o cuidado vai além de retirar o tumor e costuma exigir equipe multiprofissional, com participação de odontologia, fonoaudiologia, nutrição e apoio psicológico, entre outras áreas. “O sucesso do tratamento não é medido apenas pela eliminação do câncer. Também precisamos preservar a funcionalidade, autonomia, autoestima e a qualidade de vida dos pacientes”, conclui.