Cirurgia da Mão

Infecção após fazer as unhas pode levar à amputação, alertam especialistas

Paroníquia, inflamação ao redor da unha por bactérias ou fungos, pode exigir cirurgia. Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão orienta sobre sinais, tratamento e prevenção.

Por Redação Brazil Health , 21/02/2026

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Infecção após fazer as unhas pode levar à amputação, alertam especialistas

Infecções após procedimentos de manicure podem evoluir rapidamente e, em casos graves, levar à perda parcial do dedo. A Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM) chama a atenção para a paroníquia – inflamação na pele ao redor da unha, geralmente causada por bactérias ou fungos – e reforça cuidados de prevenção e busca precoce por atendimento.

Casos recentes reacendem alerta

O tema ganhou repercussão após o relato de uma influenciadora norte-americana que precisou amputar parte do dedo depois de fazer as unhas. No Brasil, uma mulher de 66 anos, em Goiânia (GO), teve necrose no dedo após procedimento em salão e passou por quatro cirurgias para evitar a amputação, além de tratamento prolongado.

Segundo especialistas, o uso de unhas em gel e materiais sem esterilização adequada aumenta o risco de contaminação, sobretudo quando há lesões na cutícula ou na pele ao redor da unha.

Sinais, riscos e tratamento

O presidente da SBCM, Roberto Luiz Sobania, orienta a observar sintomas como dor persistente, vermelhidão, inchaço e secreção após fazer as unhas. “Diante de qualquer alteração, a recomendação é não recorrer à automedicação nem tentar resolver em casa, mas buscar avaliação médica. Quando identificada precocemente, a paroníquia costuma ter tratamento simples e boa evolução”, diz.

Embora muitos quadros sejam leves, a infecção pode avançar e comprometer estruturas do dedo. “A infecção pode comprometer a região da unha, atingir o dedo, a polpa digital e, em casos mais avançados, se disseminar. O risco é ainda maior em pessoas com condições de saúde como o diabetes ou naquelas que demoram a buscar atendimento”, afirma Sobania – o que pode, segundo ele, causar danos graves e até perda de parte da extremidade.

Nos estágios iniciais, o manejo costuma incluir antibióticos indicados por profissional de saúde e compressas mornas para auxiliar a drenagem. Quando há formação de abscesso, pode ser necessário procedimento cirúrgico para escoamento do pus.

Como prevenir

A medida central é a esterilização rigorosa de todos os instrumentos usados na manicure. “O ideal é que esses materiais sejam de uso individual. Além disso, a higiene frequente das mãos é fundamental”, ressalta o presidente da SBCM.

Também é importante evitar técnicas agressivas, como retirar cutículas profundamente ou empurrá-las com força, que favorecem ferimentos. “Procedimentos aparentemente simples envolvem a integridade da pele, primeira linha de defesa do organismo contra infecções. Os ferimentos rompem essa barreira, abrindo caminho para complicações que poderiam ser evitadas com medidas básicas de segurança”, completa.

Em caso de sinais de infecção, a orientação é suspender novos procedimentos nas unhas e procurar avaliação médica o quanto antes, especialmente pessoas com diabetes, problemas vasculares ou imunidade comprometida.