Cirurgia da Mão

Afastamentos por síndrome do túnel do carpo sobem 25% e passam de 44 mil em 2025

Dados da Previdência Social indicam aumento de licenças por incapacidade temporária ligadas ao problema, que pode causar dor, formigamento e perda de força nas mãos se não for tratado.

Por Redação Brazil Health , 13/03/2026

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Afastamentos por síndrome do túnel do carpo sobem 25% e passam de 44 mil em 2025

O número de afastamentos do trabalho por síndrome do túnel do carpo cresceu 25% em um ano, segundo dados da Previdência Social. Em 2024, foram concedidos 35.309 benefícios por incapacidade temporária relacionados ao problema. Em 2025, o total chegou a 44.270.

A síndrome do túnel do carpo ocorre quando o nervo mediano é comprimido na região do punho, dentro de uma estrutura estreita. Esse nervo participa da sensibilidade e de parte dos movimentos da mão, e a pressão sobre ele pode desencadear sintomas progressivos.

Entre as queixas mais comuns estão dormência, formigamento, dor e sensação de “choque”, geralmente no polegar, indicador e dedo médio. Os sinais tendem a aparecer aos poucos e podem piorar à noite ou ao acordar, interferindo em tarefas simples, como segurar objetos ou realizar movimentos mais delicados.

“Muitas pessoas demoram a procurar atendimento porque acreditam que é algo passageiro, mas a persistência dos sintomas pode indicar compressão do nervo e exigir avaliação especializada”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM), Roberto Luiz Sobania.

Por que o problema atinge mais mulheres

A síndrome é mais frequente em mulheres e pode se intensificar em fases associadas a mudanças hormonais, como gestação e menopausa. Nesses períodos, a retenção de líquidos e o inchaço de estruturas do punho podem favorecer a compressão do nervo.

Movimentos repetitivos e sobrecarga das mãos, seja no trabalho ou em atividades domésticas, também podem contribuir para o surgimento do quadro e para a piora dos sintomas.

Quando o quadro pode deixar sequelas

Com a progressão, o desconforto pode evoluir para perda de força e dificuldade para executar movimentos finos. Em situações avançadas, pode haver atrofia da musculatura na base do polegar, o que compromete a função da mão.

“Quando o nervo permanece comprimido por muito tempo, o risco de sequelas aumenta e a recuperação pode ser mais limitada”, diz Sobania.

Tratamento depende do estágio

O tratamento varia conforme a intensidade dos sintomas e o tempo de evolução. Em fases iniciais, medidas conservadoras podem ser indicadas. Nos casos em que há comprometimento mais importante do nervo, pode ser necessária cirurgia para descompressão.

“O mais importante é que o paciente não normalize os sintomas. Quanto antes houver avaliação especializada, maiores são as chances de evitar a progressão e preservar a função da mão”, conclui o presidente da SBCM.