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Pernas 360: por que tratar varizes nem sempre resolve a aparência e o desconforto

Especialistas defendem avaliação mais ampla, que inclui pele, gordura localizada e manchas, além da circulação, para melhorar saúde e bem-estar.

Por Redação Brazil Health , 22/06/2026

4 min de leitura

Pernas 360: por que tratar varizes nem sempre resolve a aparência e o desconforto

Tratar varizes continua sendo um passo importante para aliviar dor, sensação de peso e inchaço nas pernas. Mas, na prática, muita gente percebe que, mesmo após cuidar dos vasos, ainda falta algo para se sentir bem com o resultado no espelho — ou até para reduzir incômodos no dia a dia.

Esse cenário tem impulsionado uma mudança de abordagem no consultório: olhar as pernas como um conjunto. A cirurgiã vascular Andréa Klepacz explica que a avaliação atual vai além de identificar veias doentes. “A qualidade das pernas não depende só das veias. Pele, gordura, sustentação dos tecidos e manchas também entram na conta”, afirma.

A proposta, chamada por alguns profissionais de “pernas 360”, parte da ideia de que alterações diferentes podem coexistir e influenciar a aparência e a sensação de conforto. Por isso, um tratamento focado apenas na circulação pode não atender às expectativas de quem busca melhora global.

O que mais pode afetar a qualidade das pernas

As varizes são apenas uma parte do problema. Entre as queixas mais comuns, está a flacidez, que tende a aparecer com o envelhecimento, após emagrecimento ou depois de gestações. A perda de colágeno reduz a firmeza da pele e pode mudar o contorno e a textura da região.

Outro ponto frequente é a gordura localizada. Mesmo pessoas magras podem ter depósitos desproporcionais em áreas específicas, criando irregularidades no formato das pernas e uma sensação de peso que não melhora apenas com procedimentos vasculares.

Manchas também entram na lista. Em alguns casos, elas estão ligadas à insuficiência venosa crônica, quando alterações na circulação favorecem o escurecimento da pele, sobretudo perto dos tornozelos. Klepacz destaca que esse tipo de marca pode persistir mesmo após o controle das varizes, exigindo cuidados adicionais. “Quando há comprometimento crônico da circulação, podem ocorrer manchas que não desaparecem automaticamente só com o tratamento venoso”, alerta.

Além disso, vasinhos superficiais, celulite, mudanças na textura da pele e edema residual podem contribuir para a percepção de que as pernas não estão “bem”, apesar de os vasos principais já terem sido tratados.

Como funciona a avaliação integrada

A base do cuidado continua sendo a avaliação da circulação, conduzida pelo cirurgião vascular, para investigar refluxos venosos e alterações que podem exigir procedimentos como escleroterapia, laser ou radiofrequência.

O diferencial da visão “360” é que, ao mesmo tempo, o plano pode incluir estratégias voltadas à qualidade dos tecidos. Entre as possibilidades citadas por especialistas estão tecnologias para estimular colágeno e melhorar flacidez e textura, além de abordagens específicas para gordura localizada e para manchas — sempre de forma criteriosa e personalizada, de acordo com a combinação de fatores presentes em cada paciente.

Saúde não é só estética — mas estética também importa

Profissionais da área reforçam que varizes não devem ser tratadas como um problema apenas estético. Quando negligenciadas, podem evoluir com inflamação, trombose e até úlceras, o que torna essencial avaliar primeiro a saúde circulatória.

Ainda assim, a expectativa de quem procura atendimento mudou: bem-estar, autoestima e qualidade de vida passaram a pesar mais na decisão terapêutica. “O objetivo é tratar o que é necessário para a saúde e, quando faz sentido, também melhorar a pele, o contorno e a sustentação dos tecidos”, destaca Klepacz.

No fim, a proposta do olhar 360 resume uma tendência da medicina contemporânea: cuidar do funcionamento do corpo sem ignorar o impacto que a aparência e o conforto têm na vida das pessoas.