Cigarros eletrônicos

Cigarro Eletrônico Aumenta Risco de Câncer de Pulmão e Preocupa Especialistas

Casos de câncer de pulmão devem crescer expressivamente até 2040 no Brasil, enquanto o aumento do uso de cigarros eletrônicos entre jovens preocupa especialistas.

Por Redação Brazil Health , 02/08/2025

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Cigarro Eletrônico Aumenta Risco de Câncer de Pulmão e Preocupa Especialistas

Pesquisa aponta aumento preocupante nos casos de câncer de pulmão até 2040, enquanto o uso do vape cresce, especialmente entre os jovens.

O uso de cigarros eletrônicos continua diante de um cenário preocupante no Brasil, principalmente entre jovens, conforme destaca a médica pneumologista Daniela Campos neste Dia Mundial de Combate ao Câncer de Pulmão, celebrado em 1º de agosto. Segundo estudo da Fundação do Câncer divulgado em 2024, o país pode registrar aumento de 65% nos casos de câncer de pulmão e 74% na mortalidade até 2040, caso o padrão atual de consumo de tabaco seja mantido.

O tabagismo ainda responde por mais de 86% dos casos de câncer de pulmão, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Nos últimos anos, a popularização dos chamados “vapes” preocupa especialistas. “O cigarro eletrônico, o famoso vape ou pod, atrai muitos jovens pela nova roupagem, alguns são até customizados. Além disso, não tem cheiro ruim e tem sabores diversos, o que mascara o risco”, alerta Daniela Campos, pneumologista do centro clínico do Órion Complex, em Goiânia.

Malefícios já são identificados em usuários

A médica detalha que os cigarros eletrônicos foram divulgados como auxiliares na redução do tabagismo, mas não cumprem essa função. “A indústria começou com esse engodo, de que estavam lançando um produto para ajudar as pessoas a parar de fumar... Só que nunca soubemos a real quantidade de nicotina nesses produtos. E muitos já vinham com THC, derivado da maconha”, afirma.

Danela Campos alerta sobre as doenças graves relacionadas ao vape, que já tiveram sua letalidade comprovada. Entre elas está a EVALI, doença pulmonar que levou à morte vários jovens em 2019 nos Estados Unidos. “É um dano alveolar difuso que leva à insuficiência respiratória. Recentemente descobriu-se também o chamado ‘pulmão de pipoca’, uma bronquiolite obliterante”, descreve.

Segundo a pneumologista, não há segurança no controle das substâncias presentes nos dispositivos eletrônicos:

  • é difícil saber a real quantidade de nicotina
  • mesmo versões sem nicotina podem conter THC
  • os dispositivos possuem amônia, propilenoglicol, chumbo e outros produtos extremamente tóxicos

Ela acrescenta que, além dos riscos pulmonares, há possibilidade de câncer de boca, laringe, aumento de AVC e infarto, inclusive em pessoas não fumantes, que são expostas à fumaça desses aparelhos.

Debate sobre regulamentação divide opiniões

Projetos de lei em análise discutem a regulamentação dos cigarros eletrônicos no Brasil. Daniela Campos se mostra contrária à liberação, alinhada à posição das sociedades médicas nacionais. “Nenhuma sociedade médica séria apoia essa legalização. Países como Inglaterra já enfrentam aumento de internações entre jovens devido ao uso do vape. Por isso, continuaremos contra”, conclui.