Chuvas de verão elevam risco de leptospirose em áreas alagadas
Doença transmitida pela urina de ratos tende a aumentar entre novembro e abril, com maior impacto no Sul e Sudeste
Por Redação Brazil Health , 21/01/2026
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Com as enchentes típicas do verão, especialistas alertam para o aumento de casos de leptospirose no Brasil entre novembro e abril, quando cresce a exposição à água e à lama contaminadas por urina de roedores. O risco é maior nas regiões Sul e Sudeste, mas a doença também ocorre durante todo o ano em áreas urbanas com saneamento precário.
Sintomas e gravidade
A infectologista Tania Barroso, do Hospital Icaraí e do Hospital e Clínica São Gonçalo, explica que a leptospirose é uma infecção bacteriana que pode variar de quadros leves a formas graves, com risco de insuficiência renal e respiratória. “A principal característica da leptospirose, quando sintomática, é o início agudo de febre associada a dor muscular intensa, especialmente nas panturrilhas, evoluindo com o aparecimento de icterícia e urina escurecida”, afirma.
Segundo a médica, nas formas leves são comuns febre, dor de cabeça e dores musculares. Nas formas graves, podem ocorrer icterícia, insuficiência renal e, em alguns casos, pneumonia hemorrágica, que pode levar ao óbito.
Como ocorre a transmissão
A bactéria Leptospira se espalha em ambientes alagados e pode infectar pessoas em contato com água e solo contaminados. Os ratos são os principais reservatórios, mas cães, suínos e bovinos também podem transmitir. O risco aumenta em situações como:
- Contato com água, lama ou esgoto de enchentes;
- Penetração por cortes e arranhões na pele;
- Exposição das mucosas dos olhos, nariz e boca;
- Imersão prolongada em água contaminada, que favorece a entrada do microrganismo.
Quando procurar atendimento e tratamento
Quem apresentar febre repentina após contato com enchentes ou esgoto deve procurar uma unidade de saúde para avaliação e início precoce do tratamento. “A leptospirose tem cura, mas, sem tratamento, pode causar sérios danos à saúde. O tratamento é feito com antibióticos e hidratação; nos casos graves, pode ser necessária internação”, diz Barroso.
Medidas de prevenção incluem evitar contato com água contaminada, usar botas e luvas em limpezas pós-enchente e higienizar bem mãos e objetos. Em áreas alagadas, a orientação é não consumir água e alimentos que possam ter sido expostos à lama ou esgoto.
A melhora do saneamento básico e o controle de roedores são estratégias essenciais para reduzir a circulação da bactéria e prevenir surtos durante o período chuvoso.