Dermatologia

Pressão alta no inverno: por que o frio pode elevar o risco de infarto e AVC

Temperaturas baixas contraem os vasos sanguíneos e podem dificultar o controle da hipertensão, sobretudo em idosos e pessoas com doenças cardiovasculares.

Por Redação Brazil Health , 21/06/2026

4 min de leitura

Pressão alta no inverno: por que o frio pode elevar o risco de infarto e AVC

A chegada do inverno não traz apenas aumento de gripes e resfriados. A queda da temperatura também pode influenciar a pressão arterial e, em alguns casos, elevar o risco de complicações como infarto e AVC, principalmente em quem já tem hipertensão, é idoso ou reúne fatores de risco cardiovasculares.

Uma revisão publicada no Journal of Human Hypertension aponta que a pressão tende a ser mais alta nos meses frios, com impacto no controle da doença e aumento da variabilidade das medidas ao longo do dia, um comportamento associado a maior risco cardiovascular.

O principal motivo é a resposta do corpo para manter a temperatura. No frio, os vasos sanguíneos se contraem (vasoconstrição), o que aumenta a resistência à passagem do sangue e faz o coração trabalhar mais para manter a circulação. Além disso, o organismo pode ativar mecanismos hormonais e do sistema nervoso que interferem no controle da pressão.

“Esse aumento pode parecer pequeno, mas em pacientes hipertensos, idosos ou com doenças cardiovasculares prévias, ele pode fazer diferença. No inverno, esse cuidado precisa ser ainda maior, porque o problema não é apenas a pressão subir pontualmente, mas a soma de fatores”, afirma o cardiologista Leandro Costa, do Centro Especializado em Cardiologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

O que é mito e o que é verdade

Especialistas alertam que a pressão pode, sim, subir no frio, inclusive dentro de casa, quando o ambiente permanece muito gelado ou há pouca proteção térmica. Por outro lado, a ideia de que “pequenas elevações não importam” é enganosa: oscilações e aumentos persistentes podem ser relevantes para quem já tem hipertensão ou condições como diabetes, colesterol alto, obesidade, doença renal, além de histórico familiar e tabagismo.

Também é mito que apenas quem não toma remédio precisa se preocupar. O tratamento reduz riscos, mas não elimina a necessidade de acompanhamento. Ajustes de conduta, quando necessários, devem ser feitos apenas com orientação médica, sem interromper ou alterar doses por conta própria.

Outro ponto importante é que a hipertensão costuma ser silenciosa. Dor de cabeça, por exemplo, não é um sinal confiável para identificar pressão alta. A forma mais segura de acompanhar o quadro é medir a pressão com regularidade.

Medir em casa pode ajudar

A aferição domiciliar pode ser útil para entender como a pressão se comporta no dia a dia, desde que seja feita com aparelho validado e técnica correta. Temperatura, estresse, sono, alimentação e uso adequado das medicações podem alterar as medidas, e esse histórico ajuda o médico a avaliar o controle.

Hábitos do inverno que pioram a pressão

O período frio costuma vir acompanhado de mudanças na rotina que atrapalham o controle da hipertensão: menos atividade física, menor consumo de água e maior procura por alimentos mais calóricos e ricos em sal. Produtos como sopas industrializadas, embutidos, queijos, caldos prontos e ultraprocessados merecem atenção por concentrarem muito sódio.

Entre as medidas recomendadas estão manter o acompanhamento médico, seguir o tratamento corretamente, evitar exposição prolongada ao frio, manter o corpo aquecido, praticar atividade física com segurança, controlar o sal e cuidar da hidratação.

“Não se trata de alarmar a população, mas de lembrar que o inverno exige atenção adicional de quem já tem hipertensão ou risco cardiovascular. Quanto mais regular for o acompanhamento, maior a chance de prevenir complicações”, diz Costa.