Dermatologia

Infartos em jovens avançam no Brasil e acendem alerta para risco hereditário

Parte dos casos ocorre sem fatores clássicos e pode ter ligação genética; teste genético ajuda a mapear predisposição e orientar prevenção

Por Redação Brazil Health , 02/03/2026

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Infartos em jovens avançam no Brasil e acendem alerta para risco hereditário

Casos de infarto em pessoas com menos de 40 anos têm crescido no Brasil e chamam atenção para causas pouco visíveis, como a herança familiar. Segundo levantamento citado por especialistas com base em dados do Ministério da Saúde, a incidência nessa faixa etária aumentou cerca de 150% desde o início dos anos 2000.

A doença arterial coronariana, uma das principais causas de morte no país, ainda é associada ao envelhecimento, mas sinais de risco aparecem cada vez mais cedo. Estimativas indicam que adultos de 30 a 39 anos já respondem por parcela relevante dos episódios e que alterações como pressão alta e colesterol elevado estão presentes em parte dos brasileiros entre 18 e 39 anos.

Para o cardiologista Marcelo Bittencourt, da Dasa Genômica, indivíduos jovens sem fatores tradicionais de risco podem abrigar predisposição hereditária não reconhecida. “Muitos jovens não se enquadram nos critérios tradicionais de risco e, por isso, não são investigados de forma aprofundada. Quando existe uma carga genética importante, o primeiro sinal pode ser justamente um evento grave, como um infarto precoce”, afirma.

O histórico familiar de infarto em idade precoce, morte súbita ou doença coronariana em parentes de primeiro grau é um marcador relevante. Nessas situações, a probabilidade de risco hereditário costuma ser subestimada e pode não aparecer nas avaliações clínicas de rotina.

Especialistas reforçam que hábitos saudáveis e controle de fatores modificáveis – como pressão arterial, colesterol e tabagismo – seguem essenciais. Porém, quando há suspeita de componente genético, a avaliação dirigida pode antecipar medidas preventivas e ajustar o acompanhamento médico.

Nesse cenário, o chamado escore de risco poligênico para doença coronariana tem sido usado como ferramenta complementar. O exame analisa milhares de variantes genéticas associadas ao desenvolvimento da aterosclerose ao longo da vida e estima a probabilidade individual de eventos cardiovasculares.

A coleta é simples – geralmente saliva ou sangue – e a análise é feita em laboratório especializado. Como se trata de um teste genético com impacto em decisões de saúde, a solicitação e a interpretação dos resultados devem ser feitas por um profissional habilitado, que define a necessidade de ações preventivas.

“Estudos mostram que pessoas com escore poligênico elevado podem apresentar um risco significativamente maior de desenvolver doença coronariana, independentemente da idade ou do estilo de vida”, diz Bittencourt. Segundo ele, a informação permite acompanhamento mais rigoroso e intervenções precoces quando indicadas.

Médicos ressaltam que o resultado do escore não é determinístico e não substitui a avaliação clínica, mas pode orientar a intensidade do seguimento e a priorização de estratégias de prevenção. Para jovens com forte histórico familiar, a ferramenta ajuda a identificar quem merece olhar mais atento desde cedo.

Com a incorporação de análises genéticas, a prevenção cardiovascular tende a se tornar mais personalizada – combinando dados clínicos e laboratoriais ao perfil genético – para reduzir eventos em faixas etárias cada vez mais jovens.