Dermatologia

Exercício Físico Protege o Cérebro da Hipertensão, Segundo Estudo da USP

Estudo da USP mostra que exercícios aeróbicos ajudam a proteger o cérebro de quem tem hipertensão, fortalecendo suas defesas naturais e reduzindo inflamações.

Por Redação Brazil Health , 27/02/2025

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Exercício Físico Protege o Cérebro da Hipertensão, Segundo Estudo da USP

Pesquisa revela que a atividade aeróbica fortalece a barreira hematoencefálica e reduz inflamações cerebrais

Um estudo inédito realizado por pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP revelou novos mecanismos pelos quais o exercício físico protege o cérebro contra os efeitos da hipertensão arterial. A pesquisa, conduzida ao longo de cinco anos e financiada pela FAPESP, mostrou que o treinamento aeróbico fortalece a barreira hematoencefálica (BHE) - estrutura que impede a passagem de substâncias nocivas para o cérebro - e reduz inflamações causadas pela reatividade da micróglia, células de defesa do sistema nervoso central.

Exercício físico e proteção cerebral

A hipertensão arterial é uma das principais causas de acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e outras complicações neurológicas, especialmente devido à instabilidade da pressão arterial e ao aumento da permeabilidade da BHE. “Nosso estudo mostra que o treinamento aeróbico não apenas reduz a pressão arterial, mas também melhora a integridade da barreira hematoencefálica, diminuindo sua permeabilidade e tornando-a mais seletiva”, explica a professora Lisete Compagno Michelini, líder da pesquisa.

A barreira hematoencefálica atua como um filtro seletivo, protegendo o cérebro contra toxinas, microrganismos e substâncias inflamatórias presentes na circulação. Na hipertensão, essa barreira torna-se mais permeável, permitindo a entrada de moléculas como a angiotensina II, que pode desregular o controle da circulação e agravar os danos ao cérebro, coração e rins.

O papel da micróglia e das junções oclusivas

Os cientistas descobriram que o exercício aeróbico impacta diretamente a micróglia, células que atuam como “soldados” do sistema nervoso, controlando inflamações. Na hipertensão, essas células se tornam hiperativas, liberando mediadores inflamatórios que prejudicam a barreira hematoencefálica. O estudo revelou que a prática regular de exercícios reduz essa ativação excessiva, diminuindo os processos inflamatórios no cérebro.

Outro achado relevante foi o fortalecimento das junções oclusivas, que conectam as células da BHE. “O treinamento físico aumentou a densidade e resistência dessas junções, tornando a barreira mais eficiente em bloquear a passagem de substâncias nocivas”, destaca Michelini.

Impacto na hipertensão secundária

Além da hipertensão primária e da insuficiência cardíaca, a equipe da USP investigou pela primeira vez os efeitos do exercício sobre a hipertensão secundária, que pode ser causada por problemas renais. Os resultados mostraram que a atividade física corrige déficits graves da BHE, como o aumento da permeabilidade e a redução da proteína claudina-5, essencial para a integridade da barreira.

Reconhecimento internacional e relevância clínica

Desde o início do projeto, em 2019, os resultados obtiveram diversos prêmios internacionais, incluindo o “Paul Dudley White International Scholar Award” e o reconhecimento da International Society of Hypertension. Os achados foram publicados em revistas científicas de alto impacto, como Clinical Science e American Physiological Society.

Para os pesquisadores, os resultados reforçam o papel do exercício aeróbico como estratégia complementar no tratamento da hipertensão arterial, indo além da simples redução da pressão arterial. “Descobrimos mecanismos inéditos que mostram como a prática regular de exercícios fortalece o cérebro contra os danos da hipertensão, reforçando seu papel essencial na prevenção de doenças neurológicas e cardiovasculares”, conclui Michelini.