Dor No Peito Em Mulheres: Exame Inédito Ajuda a Diagnosticar Angina Microvascular
Diagnóstico preciso de angina microvascular em mulheres pode reduzir exames desnecessários e melhorar tratamento das dores no peito, trazendo avanços na atenção à saúde cardíaca feminina.
Por Redação Brazil Health , 28/08/2025
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As doenças cardíacas continuam sendo as principais causadoras de morte no Brasil, respondendo por mais de 237 mil óbitos em 2024, conforme dados atualizados do Ministério da Saúde. Um desafio crescente para médicos e pacientes, no entanto, é diagnosticar corretamente as causas da dor no peito, especialmente em mulheres, grupo para o qual existe um risco significativo de uma doença menos conhecida: a angina microvascular.
O Hospital São Marcelino Champagnat, em Curitiba, tornou-se referência nacional ao adotar um novo exame para avaliação dessa condição, capaz de identificar problemas na circulação sanguínea das pequenas artérias do coração – os chamados vasos da microcirculação. “Muitas pacientes chegam ao consultório com sintomas clássicos de angina, mas os exames tradicionais, como cateterismo, não apontam obstruções nas grandes artérias. Nesses casos, o problema pode estar nas artérias microscópicas, invisíveis aos métodos convencionais”, explica a cardiologista Sarah Fagundes.
Entre os principais fatores que tornam as mulheres mais vulneráveis à angina microvascular, especialistas apontam:
- alterações hormonais, principalmente na menopausa, afetando a dilatação dos vasos
- doenças autoimunes e processos inflamatórios crônicos, mais prevalentes nesse público
- anatomia diferenciada das artérias, geralmente mais finas e tortuosas
A indicação do exame deverá ser considerada pelo médico quando a paciente apresenta dor no peito, sintomas equivalentes à angina ou sinais de isquemia cardiovascular identificados em exames como cintilografia, ecocardiograma de estresse ou ressonância magnética – tudo isso sem obstruções visíveis nas principais artérias coronárias. “Esse tipo de investigação não faz parte do check-up de rotina. É recomendada somente quando os exames convencionais falham em apontar a causa dos sintomas, até porque o exame é mais detalhado e, em alguns casos, invasivo”, orienta Sarah Fagundes.
A confirmação da angina microvascular transforma o plano terapêutico. O tratamento passa a incluir uma combinação individualizada de medicamentos específicos para a microcirculação, além do controle das doenças associadas, como hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade. Mudanças no estilo de vida, como prática de exercícios regulares e alimentação saudável, também são essenciais.
Sem um diagnóstico preciso, pacientes podem ser submetidos a múltiplos exames invasivos sem sucesso e continuam sofrendo crises de dor torácica. “Tratar a causa exata, e não apenas os sintomas, é a chave para reduzir as crises de dor no peito e prevenir complicações futuras”, enfatiza a cardiologista do Hospital São Marcelino Champagnat.