Dermatologia

Doenças da aorta podem ser fatais e exigem diagnóstico precoce

Especialista alerta para sintomas que podem ser confundidos com infarto, destaca fatores de risco silenciosos e reforça importância da prevenção cardiovascular e dos avanços minimamente invasivos no tratamento das doenças da aorta.

Por Redação Brazil Health , 14/05/2026

4 min de leitura

Doenças da aorta podem ser fatais e exigem diagnóstico precoce

As doenças da aorta estão entre as condições cardiovasculares mais graves e letais da medicina. Muitas vezes silenciosos, o aneurisma e a dissecção de aorta podem evoluir sem sintomas aparentes até quadros de emergência com alto risco de morte. Apesar disso, ainda existe pouca informação da população sobre sinais de alerta, fatores de risco e formas de prevenção.

A aorta é a principal artéria do corpo humano, responsável por transportar o sangue do coração para os demais órgãos. Quando ocorre uma dilatação progressiva da parede dessa artéria, forma-se o aneurisma de aorta. Já a dissecção acontece quando há uma ruptura interna na parede da artéria, criando uma separação entre suas camadas.

Segundo o Dr. Álvaro Razuk, cirurgião vascular especialista em doenças da aorta, um dos principais desafios dessas condições é justamente o diagnóstico precoce. “O aneurisma é, na maioria das vezes, uma doença silenciosa. Muitos pacientes passam anos sem qualquer sintoma e, em alguns casos, o primeiro sinal já é o rompimento, que possui alta mortalidade”, explica.

De acordo com o especialista, homens acima dos 60 anos, fumantes ou ex-fumantes, hipertensos, diabéticos e pessoas com histórico familiar estão entre os principais grupos de risco. Doenças genéticas relacionadas ao colágeno, como síndrome de Marfan e síndrome de Ehlers-Danlos, também aumentam a predisposição para alterações na aorta.

Outro ponto de atenção é a dissecção de aorta, frequentemente confundida com infarto agudo do miocárdio devido à semelhança dos sintomas. “A dor costuma ser muito intensa, no peito, e pode irradiar para as costas ou abdômen. Muitas vezes o eletrocardiograma vem normal, e é justamente aí que existe o risco do erro de diagnóstico”, afirma Dr. Álvaro.

Segundo ele, exames como tomografia de tórax e abdômen são fundamentais em casos suspeitos, principalmente quando os exames cardíacos iniciais não justificam a intensidade da dor apresentada pelo paciente.

Além dos fatores genéticos e cardiovasculares, o estilo de vida moderno também preocupa os especialistas. Sedentarismo, obesidade, alimentação rica em ultraprocessados, hipertensão arterial e aumento dos casos de diabetes contribuem diretamente para o crescimento das doenças cardiovasculares no Brasil e no mundo.

“O sedentarismo hoje é um dos grandes problemas da saúde cardiovascular. Existe inclusive uma frase muito utilizada atualmente: ‘o sofá é o novo cigarro’”, destaca o médico.

Diagnóstico precoce pode salvar vidas

O rastreamento precoce é considerado uma das principais estratégias para reduzir mortes relacionadas ao aneurisma de aorta. Exames simples, como o ultrassom abdominal, conseguem identificar alterações antes do surgimento de complicações graves.

Em alguns países da Europa, programas de rastreamento populacional já fazem parte da rotina de prevenção em grupos de risco. No Brasil, especialistas reforçam a importância do acompanhamento regular com cardiologistas e cirurgiões vasculares, principalmente em pacientes com histórico familiar ou fatores de risco associados.

Avanços minimamente invasivos colocam Brasil em destaque internacional

Os avanços da cirurgia vascular também têm transformado o tratamento das doenças da aorta. Atualmente, grande parte dos procedimentos já pode ser realizada por técnicas minimamente invasivas, através de cateteres inseridos pela região da virilha, reduzindo tempo de recuperação e riscos cirúrgicos.

Segundo o Dr. Álvaro Razuk, o Brasil ocupa hoje posição de destaque internacional no desenvolvimento dessas técnicas. “Hoje conseguimos tratar aproximadamente 95% dessas doenças com procedimentos minimamente invasivos, utilizando tecnologias avançadas e dispositivos cada vez mais modernos”, explica.

O especialista também participa de um simpósio internacional sobre doenças da aorta realizado em São Paulo, encontro que reúne alguns dos principais especialistas do mundo na área vascular para discutir inovação, diagnóstico e tratamento dessas condições. O evento chega à 12ª edição e contará com convidados internacionais, palestrantes brasileiros e centenas de médicos inscritos.

Para o médico, o avanço científico e a educação continuada dos profissionais são fundamentais para reduzir falhas diagnósticas e ampliar as chances de sobrevivência dos pacientes. “Pensar na aorta diante de uma dor torácica pode salvar vidas”, concluiu.