Dermatologia

Diabetes eleva risco de infarto silencioso e exige atenção aos sinais fora do padrão

Neuropatia pode mascarar a dor no peito e atrasar o socorro; cardiologista explica por que controlar glicose, pressão e colesterol é decisivo para evitar complicações cardiovasculares.

Por Redação Brazil Health , 16/06/2026

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Diabetes eleva risco de infarto silencioso e exige atenção aos sinais fora do padrão

O diabetes vai além do controle do açúcar no sangue e pode afetar diretamente o coração e a circulação, aumentando o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). O alerta ganha importância com o avanço da doença no Brasil e com uma complicação pouco conhecida: o chamado infarto silencioso, que pode ocorrer sem dor no peito.

Dados citados por entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) indicam que o diabetes pode elevar em até quatro vezes a chance de eventos cardiovasculares. No país, números do Vigitel mostram que a proporção de adultos com diagnóstico de diabetes passou de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024. No mesmo período, também cresceram fatores associados a problemas cardíacos, como hipertensão, excesso de peso e obesidade.

Segundo o cardiologista André Brandão, da Kora Saúde, a glicose alta de forma persistente contribui para lesões nos vasos sanguíneos e acelera o entupimento das artérias. “O açúcar elevado funciona como uma espécie de ‘lixa’ nas paredes internas das artérias. Esse processo inflamatório danifica o endotélio, facilitando o acúmulo de placas de gordura (aterosclerose) e a formação de coágulos que podem obstruir o fluxo sanguíneo”, afirma.

Quando o infarto não dói

Um dos principais riscos para quem tem diabetes é a mudança na forma como o problema se manifesta. Em alguns pacientes, a neuropatia diabética, que compromete nervos ligados à sensibilidade, pode reduzir ou eliminar a dor típica do infarto, fazendo com que o quadro passe despercebido por mais tempo.

“Muitas vezes, o infarto em quem tem diabetes se manifesta de forma atípica e silenciosa. Os únicos sinais de alerta podem ser um cansaço inexplicável, falta de ar súbita ou um suor frio. Essa ausência de dor atrasa a busca por socorro médico de emergência, o que aumenta consideravelmente a gravidade do quadro”, diz Brandão.

O cardiologista orienta que sintomas repentinos e sem explicação, mesmo em repouso, devem ser tratados como emergência. A recomendação é procurar um pronto-atendimento para avaliação imediata, incluindo eletrocardiograma.

Sinais e metas que ajudam a proteger o coração

Para reduzir o risco cardiovascular, especialistas reforçam que o acompanhamento do diabetes deve incluir vigilância de sintomas considerados “fora do padrão” e controle de outras metas além da glicemia. O médico destaca alguns pontos:

  • Levar a sério sinais como falta de ar sem motivo aparente, tontura súbita, náuseas persistentes e fadiga intensa ao realizar pequenos esforços do dia a dia.
  • Manter a pressão arterial sob controle e monitorar o colesterol LDL, já que o diabetes facilita o acúmulo de gordura nas artérias.
  • Priorizar sono adequado, pois noites curtas e insônia podem elevar hormônios ligados ao estresse, aumentando pressão e frequência cardíaca.
  • Praticar atividade física regularmente, com orientação profissional quando necessário, já que o movimento ajuda a usar a glicose circulante e melhora a saúde vascular.

Acompanhamento com visão integrada

Brandão ressalta que o cuidado precisa ser coordenado entre especialidades, já que as complicações do diabetes não se limitam a um único órgão. “Não basta olhar apenas para a taxa de glicose. Diabéticos precisam ter o cardiologista como um aliado tão presente na rotina quanto o endocrinologista”, afirma.