Dermatologia

Coração feminino: por que mulheres ainda recebem diagnóstico tardio de doenças cardíacas

Doenças cardiovasculares lideram as causas de morte entre mulheres, mas sinais diferentes e fatores de risco específicos seguem subestimados no consultório e na emergência.

Por Redação Brazil Health , 13/07/2026

4 min de leitura

Coração feminino: por que mulheres ainda recebem diagnóstico tardio de doenças cardíacas

As doenças do coração são a principal causa de morte entre mulheres, mas muitas ainda chegam ao diagnóstico tarde demais. A cardiologista Ana Paula Andrade Garcia aponta que uma combinação de vieses históricos na medicina, sintomas menos “clássicos” e fatores de risco próprios da saúde feminina ajuda a explicar por que elas continuam sendo subdiagnosticadas.

Durante décadas, grande parte do conhecimento que orientou a cardiologia foi construída a partir de estudos com predominância de participantes homens. Na prática, isso consolidou um modelo de suspeita clínica e de conduta que nem sempre representa como as doenças cardiovasculares se manifestam nas mulheres.

O resultado é que muitas pacientes não se encaixam no padrão mais conhecido de infarto ou de outras condições cardíacas e, por isso, acabam recebendo menos atenção no início dos sintomas. “Muitas vezes, o que a mulher sente não é reconhecido como sinal de problema cardíaco, e isso atrasa o diagnóstico”, alerta a cardiologista Ana Paula Andrade Garcia.

Um viés histórico que ainda pesa no atendimento

Uma parcela relevante dos critérios usados para definir risco, reconhecer sintomas e orientar tratamentos foi estabelecida com baixa participação feminina em pesquisas. Essa distorção, embora venha sendo corrigida, ainda influencia o dia a dia de consultórios e prontos-socorros.

Com isso, queixas podem ser subvalorizadas ou interpretadas como ansiedade, estresse ou cansaço, especialmente quando não há a dor forte no peito que ficou popularmente associada ao infarto. Esse atraso no reconhecimento pode significar quadros mais avançados e maior risco de complicações após eventos como o infarto.

Riscos além dos “tradicionais”

Hipertensão, diabetes, colesterol alto e tabagismo seguem entre os principais fatores de risco para ambos os sexos. Mas, no caso das mulheres, há condições específicas que também aumentam a probabilidade de problemas cardiovasculares e nem sempre entram na conta com o devido peso.

Entre elas estão histórico de pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, menopausa precoce e uso de anticoncepcionais hormonais. “Esses eventos podem deixar impactos no organismo e elevar o risco cardiovascular ao longo da vida”, explica Ana Paula Andrade Garcia.

Reconhecer essas particularidades ajuda a refinar a avaliação clínica e a fortalecer a prevenção, com acompanhamento mais individualizado.

Sintomas mais sutis podem mascarar um infarto

Nem sempre o infarto em mulheres aparece como a dor intensa no peito com irradiação para o braço esquerdo. Em muitos casos, os sinais são menos típicos e podem ser confundidos com outros problemas.

Entre os sintomas que podem surgir estão cansaço extremo, falta de ar, náusea, dor nas costas e desconforto no pescoço ou na mandíbula. Como são manifestações mais inespecíficas, a procura por atendimento pode demorar — e, quando se trata de doenças cardíacas, tempo é decisivo para reduzir danos.

Nos últimos anos, a produção científica e a conscientização sobre saúde cardiovascular feminina vêm crescendo, o que tem ajudado a corrigir parte das falhas históricas. Ainda assim, o desafio permanece.

Especialistas reforçam que é importante que mulheres conheçam seus fatores de risco, prestem atenção a sinais persistentes ou incomuns e mantenham acompanhamento regular. Do lado dos profissionais de saúde, a orientação é ampliar o olhar para as particularidades femininas desde a prevenção até o diagnóstico. “Cuidar do coração da mulher exige entender essas diferenças e agir a tempo”, destaca Ana Paula Andrade Garcia.