Dermatologia

Chagas: estudo da USP aponta maior mortalidade após ablação de arritmia grave

Pesquisa com pacientes do InCor indica que o procedimento controla a arritmia, mas pessoas com cardiomiopatia chagásica têm risco maior de morrer por outras causas e precisam de acompanhamento mais próximo após a alta.

Por Redação Brazil Health , 02/06/2026

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Chagas: estudo da USP aponta maior mortalidade após ablação de arritmia grave

Pacientes com Doença de Chagas que passam por ablação por cateter para tratar arritmias graves apresentam risco mais alto de morte por causas não cardíacas no período após o procedimento, em comparação com pessoas com outros tipos de cardiomiopatia. O dado é de um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), realizado no Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas.

A pesquisa, publicada na revista The Lancet Regional Health – Americas, analisou casos de taquicardia ventricular, uma arritmia potencialmente fatal. Segundo os autores, embora a ablação seja um método eficaz para interromper o “curto-circuito” elétrico do coração, o cuidado com o paciente com Chagas precisa ir além do controle da arritmia.

De acordo com o estudo, a mortalidade por causas não cardíacas entre pacientes com cardiomiopatia chagásica submetidos à ablação foi 2,41 vezes maior do que a observada em pacientes com cardiomiopatia isquêmica e cardiomiopatia dilatada idiopática, condições que também podem levar a taquicardia ventricular.

Por que o procedimento pode ser mais complexo na Doença de Chagas

A ablação por cateter é um tratamento que usa energia para destruir pequenos pontos do tecido cardíaco responsáveis por disparar ou sustentar a arritmia. No caso da Doença de Chagas, porém, a estratégia costuma ser mais difícil porque as áreas de cicatriz podem se concentrar na parte externa do coração.

No levantamento, 78% dos procedimentos em pacientes com Chagas exigiram acesso ao epicárdio, camada externa do coração. Entre pacientes com cardiopatia isquêmica, esse acesso foi necessário em 15% dos casos.

Os pesquisadores apontam que complicações durante o procedimento e instabilidade clínica aparecem como fatores de risco importantes nesse grupo.

Controle da arritmia é semelhante, mas o pós-alta exige mais atenção

Apesar das diferenças técnicas e do risco aumentado de mortalidade por outras causas, o estudo encontrou um resultado considerado relevante: a recorrência da arritmia não teve diferença estatisticamente significativa entre os diferentes tipos de cardiomiopatia avaliados. Na prática, isso sugere que a ablação pode controlar a taquicardia ventricular também em pacientes com Chagas.

Para os autores, o problema é que o prognóstico geral desses pacientes pode depender de fatores além da arritmia, como insuficiência cardíaca e outras comorbidades, que exigem seguimento rigoroso após a alta hospitalar.

“O estudo reflete que é necessário melhorar o cuidado em saúde do paciente com Doença de Chagas de uma forma geral, considerando que a grande maioria dessa população é atendida no Sistema Único de Saúde (SUS)”, afirma Rodrigo Melo Kulchetscki, um dos autores do trabalho e doutorando em Cardiologia pela FMUSP.

Como o estudo foi feito

O trabalho analisou dados de 378 procedimentos realizados em 288 pacientes atendidos no InCor entre 2011 e 2020. Os autores defendem que os resultados reforçam a necessidade de acompanhamento estruturado após a ablação, com atenção especial à insuficiência cardíaca e a condições associadas, para reduzir riscos no período pós-tratamento.