Dermatologia

Casos de doença de Chagas aumentam no Brasil e acendem alerta para transmissão por alimentos

Dados do Ministério da Saúde indicam alta de registros na última década; especialista aponta que, além do barbeiro, há risco na ingestão de produtos contaminados e na transmissão na gravidez.

Por Redação Brazil Health , 05/06/2026

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Casos de doença de Chagas aumentam no Brasil e acendem alerta para transmissão por alimentos

Os casos confirmados de doença de Chagas voltaram a crescer no Brasil na última década, segundo registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. O número passou de 64 em 2013 para 292 em 2023, um aumento que reacende dúvidas sobre as formas de contágio e as estratégias de prevenção.

A doença de Chagas é causada pelo паразita Trypanosoma cruzi e pode levar a complicações graves, principalmente no coração, quando não é identificada e tratada no início. A enfermidade ficou historicamente associada ao “barbeiro”, inseto transmissor mais comum em áreas rurais, mas especialistas alertam que outras vias também têm papel relevante.

Como ocorre a transmissão

Na forma clássica, o barbeiro pode transmitir o parasita ao picar uma pessoa e eliminar fezes e urina perto da lesão. Ao coçar o local, a vítima pode facilitar a entrada do agente infeccioso no organismo. Mudanças no padrão de moradia e ações de controle reduziram a incidência ao longo do século XX, mas a circulação do parasita persiste em regiões endêmicas.

Por que os números podem estar subindo

Para o cardiologista Vinicius Marques Rodrigues, que atende em Goiânia, o aumento dos registros não se explica apenas pela picada do inseto. Ele cita outras formas de transmissão, como transfusão de sangue, transmissão da mãe para o bebê durante a gestação, acidentes laboratoriais e, sobretudo, a via oral, quando há ingestão de alimento contaminado.

“O principal motivo para o aumento da doença de Chagas no Brasil, e de certa forma no mundo, ocorre devido a transmissão oral, ou seja alimentos contaminados. Além disso, ainda predomina a forma de contaminação clássica através do barbeiro e durante a gestação”, afirma o médico.

O Sinan também estima que existam entre dois e três milhões de pessoas infectadas no Brasil, o que reforça a importância de diagnóstico e acompanhamento, inclusive em indivíduos sem sintomas.

Sinais, tratamento e prevenção

Quando detectada precocemente, na fase aguda, a doença pode ter cura com tratamento específico. Segundo Rodrigues, os sintomas iniciais podem incluir fraqueza, mal-estar, inchaço, dor de cabeça e alterações na pele, além de um sinal local associado ao ponto de entrada do parasita.

Sem diagnóstico e tratamento no começo, a infecção pode permanecer silenciosa por anos e evoluir para a forma crônica, com risco de comprometimento cardíaco. “Quando não identificada no início e tratada, leva a um quadro de cardiopatia, que pode terminar com morte súbita cardíaca”, diz.

Para reduzir o risco, o especialista recomenda medidas de proteção contra o inseto em áreas de maior presença e cuidados no manuseio e preparo de alimentos, como forma de diminuir a chance de contaminação por via oral. “Para fugir da doença de Chagas, é preciso haver melhorias habitacionais, muita higiene com os alimentos, indo desde o manuseio até o preparo. É interessante usar mosquiteiros, usar telas em casa”, afirma.