Dermatologia

Cardiopatia congênita afeta 30 mil bebês por ano no Brasil; veja sinais e exames

Alterações no coração podem ser identificadas ainda na gestação ou logo após o parto; especialistas orientam atenção a sinais como cansaço para mamar, lábios roxos e dificuldade de ganhar peso.

Por Redação Brazil Health , 11/06/2026

3 min de leitura

Cardiopatia congênita afeta 30 mil bebês por ano no Brasil; veja sinais e exames

Cerca de 30 mil crianças nascem todos os anos no Brasil com algum tipo de cardiopatia congênita, segundo dados do Ministério da Saúde. Em aproximadamente 40% dos casos, a condição exige cirurgia ainda no primeiro ano de vida, o que torna o diagnóstico precoce um fator decisivo para reduzir riscos e organizar o tratamento desde os primeiros dias.

As cardiopatias congênitas são alterações na estrutura do coração que se formam durante o desenvolvimento do bebê. De acordo com a cardiologista pediátrica Cristiane Binotto, responsável pelo Serviço de Cardiologia do Hospital Pequeno Príncipe, identificar o problema cedo ajuda a definir a conduta e o melhor momento para intervenções. “O ecocardiograma fetal consegue identificar a maior parte dessas modificações. E o diagnóstico precoce determina a necessidade de procedimentos invasivos no período fetal, neonatal imediato ou tardiamente no primeiro ano de vida ou durante a infância”, afirma.

Exames ainda no pré-natal e nas primeiras horas de vida

Estimativas citadas pela instituição indicam que cerca de 90% dos casos podem ser descobertos durante a gestação ou no início da vida. Entre os principais recursos está o ecocardiograma fetal, exame feito no pré-natal que avalia a anatomia e o funcionamento do coração do bebê.

Após o nascimento, um dos testes de triagem é o teste do coraçãozinho, realizado entre 24 e 48 horas ainda na maternidade, capaz de indicar cardiopatias mais graves associadas à baixa oxigenação no sangue.

Outro marco recente foi a sanção da Lei 14.598, em junho de 2023, que prevê a oferta de ecocardiograma e ultrassonografia para gestantes na rede pública, ampliando a possibilidade de detecção antes do parto.

Tratamento varia de remédios a cirurgia e transplante

O tratamento depende do tipo e da gravidade da cardiopatia. Em alguns casos, o acompanhamento clínico e o uso de medicamentos podem ser suficientes. Em situações mais complexas, pode ser indicado cateterismo, cirurgia cardíaca ou transplante.

Sinais de alerta em bebês e crianças

Mesmo com o acompanhamento no pré-natal, especialistas orientam que famílias e profissionais de saúde fiquem atentos a sintomas que podem sugerir problema cardíaco, especialmente quando persistentes. Entre os sinais mais citados estão:

  • língua, lábios ou ponta dos dedos arroxeados
  • cansaço e suor excessivos durante as mamadas
  • respiração acelerada mesmo em repouso
  • dificuldade para ganhar peso
  • cansaço para brincar, desmaios e infecções pulmonares frequentes em crianças

A orientação é procurar avaliação médica diante de qualquer suspeita, especialmente em recém-nascidos, quando o tempo de resposta pode influenciar a evolução clínica e a necessidade de intervenções ainda no primeiro mês de vida.