Dermatologia

Cardiomiopatia hipertrófica: doença silenciosa pode piorar com uso de anabolizantes

Espessamento do músculo do coração pode passar anos sem sinais e aumentar o risco de arritmias e morte súbita, especialmente em treinos intensos, segundo cardiologista.

Por Redação Brazil Health , 27/05/2026

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Cardiomiopatia hipertrófica: doença silenciosa pode piorar com uso de anabolizantes

Casos de morte súbita em jovens e praticantes de atividade física têm chamado a atenção para a cardiomiopatia hipertrófica, uma doença do coração que pode evoluir sem sintomas e se manifestar pela primeira vez em um evento grave. Embora frequentemente ligada a fatores genéticos, especialistas alertam que o quadro pode ser agravado pelo uso de esteroides anabolizantes sem orientação médica.

A cardiomiopatia hipertrófica é caracterizada pelo espessamento anormal do miocárdio, o músculo do coração. Segundo o cardiologista Ricardo Ferreira da Silva, do Centro Cardiológico, essa mudança pode prejudicar o funcionamento do órgão. “Essa alteração estrutural endurece as paredes do órgão, o que dificulta o relaxamento do coração e o bombeamento adequado de sangue para o resto do corpo”, afirma.

Por ser, muitas vezes, assintomática nas fases iniciais, a condição pode permanecer desconhecida por anos. Nesses casos, o risco é a primeira manifestação ocorrer durante esforço físico intenso, quando a exigência sobre o sistema cardiovascular aumenta.

Por que anabolizantes aumentam o risco

O problema, de acordo com o especialista, é que os anabolizantes podem estimular crescimento de tecido além dos músculos aparentes, incluindo o cardíaco. “Para quem já possui uma predisposição genética à hipertrofia do miocárdio, o uso dessas substâncias funciona como um acelerador da doença”, diz. “O coração, que já tinha tendência a ser espesso, cresce de forma desordenada, o que eleva drasticamente o risco de arritmias malignas e paradas cardíaca”, completa.

Além do efeito estrutural, o uso de hormônios sem indicação pode impactar fatores associados a complicações cardiovasculares. O cardiologista afirma que é comum haver aumento da pressão arterial e alteração na viscosidade do sangue, tornando-o mais propenso à formação de coágulos. Esse conjunto de mudanças pode elevar o risco de eventos graves durante treinos de alta intensidade, quando o coração já trabalha próximo do limite.

Quando investigar e quais exames ajudam

Para reduzir o risco de desfechos graves, a orientação é procurar avaliação cardiológica antes de iniciar uma rotina intensa de exercícios, especialmente para quem tem histórico familiar de problemas cardíacos ou pretende usar substâncias hormonais. “Exames simples, como o ecocardiograma, conseguem flagrar essas alterações estruturais a tempo de traçar uma linha de cuidado segura”, afirma Ferreira da Silva.

O médico ressalta que sinais como falta de ar fora do esperado, dor no peito, palpitações, tontura ou desmaios durante o exercício devem ser investigados com urgência. “A busca pela performance nunca deve atropelar os limites do próprio corpo”, conclui.