Arritmias silenciosas: batimento irregular pode aumentar risco de AVC e desmaio
Alterações no ritmo do coração nem sempre dão sinais claros; relógios com ECG e monitores implantáveis ajudam a flagrar episódios e orientar o tratamento.
Por Redação Brazil Health , 11/07/2026
4 min de leitura
Sentir o coração “falhar”, uma batida fora do compasso ou, em alguns casos, não sentir absolutamente nada: as chamadas arritmias silenciosas podem passar despercebidas por anos. Embora a maioria das arritmias seja benigna, uma parcela menor está ligada a complicações graves, como acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e, em situações específicas, morte súbita.
O cardiologista Carlos Rassi alerta que o primeiro passo, ao suspeitar de arritmia, é entender não apenas qual é a alteração do ritmo, mas se existe uma doença do coração associada. “Além de identificar a arritmia, é essencial avaliar se há uma cardiopatia estrutural, porque isso costuma aumentar o risco”, afirma o médico.
Arritmias podem aparecer de forma intermitente, o que dificulta o diagnóstico em consultas isoladas. Por isso, exames e formas de monitorização prolongada têm ganhado espaço na prática clínica, principalmente quando os sintomas são esporádicos ou ausentes.
Quais sinais podem indicar arritmia mesmo sem aviso?
Mesmo sendo chamadas de “silenciosas”, essas arritmias podem se manifestar com sintomas pouco específicos, que muitas pessoas atribuem ao estresse, cansaço ou falta de condicionamento. Entre os sinais descritos por especialistas estão:
- sensação de “falha” seguida de “tranco” no tórax
- fadiga fora do habitual
- falta de ar em esforços que antes eram bem tolerados
- dor no peito
- sensação de pulso irregular
- tontura
- síncope (desmaio)
A avaliação inicial costuma incluir conversa detalhada sobre os sintomas e histórico de saúde, exame físico e exames cardiológicos básicos. O problema é que, quando o evento acontece “de vez em quando”, ele pode não aparecer no momento do exame.
Nesse cenário, entram os monitores de longa duração. Hoje, há desde relógios capazes de registrar eletrocardiograma (ECG) até dispositivos implantáveis que acompanham o ritmo do coração por anos.
Relógios com ECG: ajuda, mas exige cautela
Alguns relógios e dispositivos vestíveis permitem que o usuário registre um ECG durante o sintoma e envie o traçado ao médico. Em determinadas situações, o próprio aparelho pode detectar automaticamente eventos conforme parâmetros programados.
A vantagem é a praticidade e o fato de não ser invasivo, além de geralmente ter custo menor do que alternativas implantáveis. Por outro lado, o uso correto depende de o paciente conseguir operar o dispositivo e fazer registros no momento certo.
Rassi destaca que a leitura médica continua sendo decisiva para evitar interpretações equivocadas. “É fundamental que o médico analise o traçado armazenado para reduzir o risco de resultados falso-positivos”, explica.
Fibrilação atrial: comum, muitas vezes sem sintomas e ligada a AVC
Entre as arritmias silenciosas mais frequentes está a fibrilação atrial, cuja ocorrência aumenta com a idade e costuma estar associada a fatores de risco cardiovasculares como hipertensão, obesidade e síndrome da apneia obstrutiva do sono.
Um ponto que preocupa: uma parcela importante dos pacientes não percebe nada. Estimativas citadas por especialistas apontam que até 40% podem ser assintomáticos. Ainda assim, a fibrilação atrial está relacionada a maior incidência de AVC e aparece como possível causa em parte dos casos em que a origem do derrame não é esclarecida.
Nesse contexto, a detecção precoce com monitorização pode orientar o tratamento e reduzir o risco de complicações como AVC e insuficiência cardíaca.
Desmaio é sinal de alerta e pode exigir investigação prolongada
Quando o sintoma é desmaio, a atenção deve ser redobrada. A síncope pode estar ligada a situações com risco de morte súbita em pessoas com doenças elétricas cardíacas genéticas ou com cardiopatia estrutural, como pacientes que já tiveram infarto.
O cardiologista José Mário Baggio Junior explica que, em alguns casos, mesmo após investigação clínica e exames, a causa do desmaio segue indefinida. “Nessas situações, um monitor de eventos implantável pode ajudar a esclarecer o diagnóstico e direcionar o tratamento”, afirma o especialista.
Esse monitor implantável é um dispositivo pequeno, colocado sob a pele em um procedimento minimamente invasivo. Ele consegue registrar arritmias automaticamente, inclusive as assintomáticas, e também gravar o traçado quando o paciente sente algum sintoma e aciona o registro. A principal vantagem é a duração: o acompanhamento pode se estender por 3 a 5 anos.
Para os especialistas, a mensagem central é que o acompanhamento regular e a investigação correta dos sintomas (ou de achados suspeitos) podem evitar consequências que, em alguns casos, deixam sequelas permanentes. Com mais opções de monitorização disponíveis, aumenta a chance de detectar episódios raros, intermitentes ou silenciosos e agir antes das complicações.
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