Câncer

Esperança: romance retrata câncer na adolescência e a força da empatia

Livro de André Portella acompanha uma jovem de 16 anos que enfrenta a leucemia e mobiliza colegas contra discriminações

Por Redação Brazil Health , 01/12/2025

2 min de leitura

Esperança: romance retrata câncer na adolescência e a força da empatia

Uma história de juventude, saúde e acolhimento marca o novo romance de André Portella. Em Esperança, a protagonista que dá nome à obra precisa lidar com a mudança de cidade e, pouco depois, com o diagnóstico de leucemia. O caminho da personagem passa por descobrir que coragem também é aceitar ajuda e construir redes de apoio.

Na nova escola, ela se sente deslocada até conhecer Lucca, colega sensível e introspectivo, alvo de piadas e exclusões por ser filho da cozinheira. O encontro acende pontes: tocada pelas vivências da turma, a jovem retoma um projeto estudantil, o Clube Educação, para unir alunos em ações contra preconceitos e a favor da solidariedade.

Amor, perdas e resistência

Entre consultas, medos e recomeços, nasce um amor que se fortalece no cuidado. Enquanto Esperança encara o tratamento, Lucca enfrenta ataques e estigmas. A dupla aprende que afeto também é ato político e que resistir, muitas vezes, significa não soltar a mão do outro.

O livro parte do cotidiano escolar para tocar em feridas sociais. Em um dos trechos, a personagem lança um desafio aos colegas: “Este é o mundo em que vivemos, mas é este o mundo em que queremos viver? (...) O que vocês estão fazendo para mudar isto?”, provoca Esperança, convocando a responsabilidade coletiva.

Preconceitos em foco

Além do câncer na adolescência, a narrativa atravessa temas como desigualdade, preconceito de gênero, diferenças religiosas e conflitos familiares. Ao espelhar tensões do dia a dia, Portella mostra como pequenas atitudes de respeito e cooperação podem transformar ambientes e pessoas.

Linguagem acessível, leitura que acolhe

Com prosa direta e emotiva, o autor investe em diálogos que expõem medos, afetos e amadurecimentos, sem perder a leveza. As cenas convidam à empatia e ajudam o leitor a compreender o impacto do diagnóstico, a importância da rede de apoio e os desafios de quem enfrenta discriminação na escola.

Esperança se firma como um romance sobre vínculos: entre amigos, famílias e uma comunidade que aprende a olhar para o outro. Ao final, a obra lembra que o diagnóstico não define a história de ninguém e que a humanidade se preserva quando a solidariedade floresce, mesmo nos dias mais difíceis.