Câncer

Einstein Lidera Estudo Pioneiro no Brasil com Caneta que Detecta Câncer em Tempo Real

Estudo conduzido pelo Einstein pode revolucionar procedimentos cirúrgicos ao fornecer diagnóstico instantâneo sobre tecidos suspeitos de tumor durante a operação.

Por Redação Brazil Health , 01/10/2025

3 min de leitura

Einstein Lidera Estudo Pioneiro no Brasil com Caneta que Detecta Câncer em Tempo Real

Uma nova tecnologia está mudando a forma de detectar câncer durante cirurgias no Brasil. Pela primeira vez fora dos Estados Unidos, médicos do Hospital Israelita Albert Einstein testam um dispositivo portátil em formato de caneta capaz de mostrar, em tempo real, se um tecido analisado é saudável ou maligno. A inovação promete tornar o tratamento do câncer mais preciso, seguro e eficiente.

A pesquisa, inédita no país, utiliza o MasSpec Pen System, desenvolvido por uma equipe internacional que inclui a química brasileira Lívia Eberlin. A caneta é conectada a um espectrômetro de massas de alta resolução, fornecido pela Thermo Fisher Scientific, capaz de analisar em segundos a “assinatura” das moléculas do tecido durante a operação.

Cirurgia mais rápida e precisa

O objetivo é claro: facilitar e agilizar a retirada de tumores ao fornecer ao cirurgião uma resposta imediata sobre o tipo de tecido. O método dispensa a necessidade de biópsias enviadas ao laboratório, procedimento tradicional que pode atrasar decisões importantes durante a cirurgia.

“A incorporação dessa tecnologia pode transformar o modo como realizamos operações oncológicas, permitindo diagnósticos em tempo real e maior preservação de tecidos saudáveis”, diz Eliezer Silva, diretor de sistemas de saúde do Einstein.

Funciona assim: durante a cirurgia, o médico toca a ponta da caneta no tecido que está para ser removido. Uma gota de água estéril é liberada, extraindo moléculas do local, que são identificadas pelo espectrômetro em até 90 segundos. Uma inteligência artificial compara as informações coletadas com um banco de dados molecular, indicando instantaneamente se há sinais de câncer.

Estudo vai investigar casos de pulmão e tireoide

O estudo brasileiro irá durar dois anos e envolverá 60 pacientes, igualmente divididos entre câncer de pulmão e de tireoide — tipos que costumam apresentar desafios para diagnóstico durante a operação. “Ser pioneiros nesse teste reforça nosso compromisso com a excelência e o cuidado centrado no paciente”, afirma Sidney Klajner, presidente do Einstein.

Além de auxiliar no diagnóstico, a MasSpec Pen pode identificar marcadores imunológicos que colaboram para tratamentos mais personalizados no futuro. Os resultados obtidos serão comparados ao exame patológico tradicional, considerado o padrão ouro, para comprovar a eficácia do novo método.

Para Lívia Eberlin, criadora da inovação, o teste em solo brasileiro tem um significado pessoal. “É um privilégio ver essa tecnologia sendo avaliada no Brasil, especialmente junto a uma equipe de referência mundial como a do Einstein”, destaca a pesquisadora.

A MasSpec Pen já foi testada em centros médicos renomados dos Estados Unidos para diferentes tipos de tumor, inclusive no cérebro, mama, ovário e próstata, sempre com resultados promissores. No Brasil, o desafio é adaptar o uso às necessidades e à realidade local, abrindo caminho para transformar o tratamento cirúrgico do câncer em todo o país.