Câncer

Circulação e câncer: risco de trombose pede vigilância durante o tratamento

Sociedade de cirurgia vascular de SP alerta para tromboembolismo venoso em pacientes oncológicos e recomenda avaliação da circulação, atenção a sinais e atuação integrada com a equipe médica.

Por Redação Brazil Health , 31/01/2026

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Circulação e câncer: risco de trombose pede vigilância durante o tratamento

No Dia Mundial do Câncer, 4 de fevereiro, a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP) reforça que a avaliação da circulação e o acompanhamento vascular são parte essencial do cuidado oncológico, do diagnóstico ao pós-operatório, especialmente para reduzir o risco de trombose e suas complicações.

Risco de trombose exige vigilância

Pessoas em tratamento contra o câncer têm maior predisposição ao tromboembolismo venoso. Segundo a diretora da SBACV-SP, Dafne Leiderman, "Esse quadro está relacionado a alterações nos mecanismos de coagulação desencadeadas pela resposta inflamatória do organismo ao tumor e pela liberação de substâncias pelas células tumorais que interferem no equilíbrio do sangue e aumentam o risco de trombose. Além disso, tumores podem comprimir vasos sanguíneos, o que também contribui para esse risco".

A manifestação mais comum é a trombose venosa profunda, geralmente nas pernas. Em alguns casos, o coágulo pode se deslocar até o pulmão, causando embolia pulmonar. Também podem ocorrer inflamações em veias superficiais, sobretudo em pacientes que recebem medicação endovenosa.

O risco varia conforme o tipo de tumor e o quadro clínico. Câncer de pâncreas, estômago, útero, rins e tumores cerebrais estão entre os que exigem atenção redobrada. Idade avançada, obesidade, doenças cardíacas ou respiratórias, histórico de trombose, infecções e longos períodos de imobilidade aumentam a probabilidade de eventos trombóticos.

O período pós-operatório merece cuidado especial – muitas cirurgias oncológicas são de grande porte e exigem recuperação prolongada, com internação e mobilidade reduzida, fatores que elevam o risco de formação de coágulos.

Sinais de alerta e prevenção

A orientação é procurar avaliação médica diante de sintomas compatíveis com trombose ou embolia pulmonar. Entre os sinais que exigem atenção estão:

  • dor localizada, inchaço, aumento de calor ou mudança na coloração da pele, sobretudo nas pernas;
  • falta de ar súbita, dor no peito, palpitações ou mal-estar intenso.

Estratégias de prevenção incluem monitoramento contínuo e, quando indicado, uso de anticoagulantes – sempre com análise individualizada e acompanhamento do cirurgião vascular, já que pacientes oncológicos têm maior risco de sangramento e podem estar em quimioterapia, usar cateteres ou precisar de novas cirurgias.

Tratamentos como a quimioterapia podem provocar náuseas, vômitos e desidratação, o que favorece a formação de coágulos. Internações repetidas ao longo do cuidado também contribuem para esse cenário e pedem protocolos de prevenção.

Papel do cirurgião vascular no tratamento

Quando o tumor comprime ou invade vasos importantes, a participação do cirurgião vascular na equipe é fundamental para preservar estruturas, reduzir riscos e dar segurança ao procedimento – da programação à etapa intraoperatória.

Para a SBACV-SP, a mensagem é clara: "Informação e atuação integrada ajudam a proteger a saúde de forma ampla. Atenção à circulação, diálogo com a equipe médica e suporte especializado fazem parte de um percurso mais seguro ao longo da jornada do paciente".