Câncer

Cinco mitos sobre o câncer que atrapalham o tratamento, segundo especialistas

Hábitos como alimentação equilibrada, exercício, apoio emocional e vacinação influenciam a tolerância às terapias e a recuperação de pacientes em tratamento oncológico.

Por Redação Brazil Health , 08/02/2026

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Cinco mitos sobre o câncer que atrapalham o tratamento, segundo especialistas

Especialistas do Hospital Sírio-Libanês alertam que escolhas do dia a dia seguem relevantes após o diagnóstico de câncer. Além da prevenção, fatores modificáveis, como dieta, sono, atividade física, manejo do estresse e imunização, podem interferir no ambiente ao redor do tumor e na resposta aos tratamentos. “Existe uma ideia de que, depois do câncer, nada mais faz diferença. Isso não é verdade”, afirma o oncologista Guilherme Harada.

Alimentação sem extremismos

A crença de que “açúcar alimenta o câncer” costuma levar a cortes radicais que, segundo nutricionistas, não se sustentam e podem ser prejudiciais. Padrões alimentares balanceados ajudam a reduzir inflamação, melhorar a tolerância às terapias e apoiar a recuperação. “Não existe alimentação anticâncer. O que existe é um padrão alimentar que garante melhor resposta ao tratamento e ajuda a minimizar efeitos colaterais”, diz Thais Giovaninni, nutricionista do Sírio-Libanês.

Ela alerta que dietas muito restritivas favorecem perda de peso e massa muscular, elevando o risco de complicações e até de interrupções do cuidado. Quanto ao açúcar, a orientação é evitar excessos, especialmente o adicionado, e priorizar frutas, verduras, legumes, grãos integrais, boas fontes de gordura e proteínas em quantidades adequadas, sempre com acompanhamento individualizado.

Movimento e repouso na medida certa

Outro mito frequente é o de que o paciente precisa ficar em repouso durante a quimioterapia ou a radioterapia. A evidência atual indica que atividade física orientada é segura e benéfica, inclusive para quem nunca se exercitou. “É mito achar que quem nunca fez exercício não pode começar depois do diagnóstico. O exercício faz parte do tratamento”, afirma a médica fisiatra Isabel Chateaubriand Diniz Salles, coordenadora de Reabilitação do Sírio-Libanês.

Segundo ela, o movimento ajuda a reduzir inflamação, melhora a resposta imunológica, diminui resistência à insulina e impacta a saúde mental. “Não é tudo ou nada. Começar, nem que seja com dez minutos por dia, e progredir até, pelo menos, 150 minutos semanais de exercícios aeróbicos, associados ao fortalecimento muscular, alongamentos e treino de equilíbrio, é uma estratégia concreta para transformar o corpo e a relação do paciente com a doença”, afirma.

Vacinação, apoio emocional, cigarro e álcool

Minimizar o sofrimento emocional também importa. Estresse e ansiedade mantidos por longos períodos podem piorar sono, fadiga e dor, além de dificultar a adesão às terapias. “Isso não significa que o estresse cause câncer ou impeça o tratamento de funcionar, mas que o corpo responde melhor quando o sofrimento emocional é reconhecido e cuidado”, explica a psicóloga Patrícia Seta. Para ela, procurar apoio não é sinal de fraqueza – é parte do cuidado que melhora qualidade de vida e engajamento no tratamento.

Sobre vacinas, a ideia de que elas causam doenças, inclusive câncer, é falsa. Uma parcela dos tumores está ligada a infecções evitáveis, como HPV e hepatite B, e a imunização reduz esse risco. Em pessoas em tratamento oncológico, manter o calendário atualizado protege contra complicações por infecções que podem levar a internações e atrasos nas terapias. “A vacina não trata o câncer, mas evita intercorrências que fragilizam o organismo e atrapalham o cuidado oncológico”, diz Harada. Segundo ele, vacinas como gripe e covid-19 tendem a ser recomendadas, com avaliação do momento clínico e do tipo de tratamento.

Por fim, abandonar o cigarro e reduzir ou cessar o consumo de álcool faz diferença mesmo após o diagnóstico. Estimativas internacionais atribuem cerca de um quarto das mortes por câncer ao tabagismo e centenas de milhares de casos anuais ao consumo de bebidas alcoólicas. “A interrupção melhora a resposta ao tratamento, reduz complicações, diminui o risco de novos tumores e impacta diretamente a sobrevida”, afirma Harada. Não há nível seguro de exposição do ponto de vista oncológico, quanto antes cessar, maior o benefício.

Para os especialistas, o recado é claro: escolhas realistas e consistentes, ajustadas à condição clínica de cada pessoa, ajudam o organismo a enfrentar melhor a doença e podem apoiar os resultados do tratamento.